Putin chega à China após visita de Trump e tenta reforçar aliança com Xi Jinping

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou a Pequim nesta terça-feira (19) para uma visita oficial que busca fortalecer a parceria estratégica com o presidente chinês Xi Jinping. O encontro acontece poucos dias após a passagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela capital chinesa, ampliando o peso geopolítico da agenda entre Moscou e Pequim.

Putin e Xi devem se reunir ainda nesta terça e participar, na quarta-feira (20), das celebrações pelos 25 anos do Tratado Sino-Russo de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável.

A visita ocorre em um momento delicado para a Rússia, que segue isolada por países ocidentais devido à guerra na Ucrânia. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial russo, respondendo por mais de um terço das importações da Rússia e comprando mais de um quarto das exportações do país.

Além da parceria econômica, há suspeitas de cooperação indireta no setor militar. Uma investigação da Reuters publicada em julho de 2025 apontou que empresas chinesas teriam usado companhias de fachada para enviar motores de drones à Rússia disfarçados de equipamentos industriais. Pequim negou as acusações.

Segundo a imprensa estatal chinesa e russa, a pauta do encontro inclui temas econômicos, comerciais e questões internacionais e regionais.

Analistas avaliam que o atual cenário geopolítico fortaleceu a posição da China. Para o pesquisador Claus Soong, do Instituto Mercator para Estudos da China, tanto Estados Unidos quanto Rússia dependem de Pequim, mas por motivos diferentes: Washington enxerga a China como rival estratégico, enquanto Moscou busca um aliado político e energético.

A visita de Putin também é interpretada como uma tentativa de garantir que uma eventual aproximação entre China e Estados Unidos não prejudique os interesses russos.

Nos bastidores, cresce a percepção de que o Kremlin busca alternativas para o desgaste provocado pela guerra na Ucrânia. Sinais recentes, como ataques contínuos à infraestrutura petrolífera russa e um desfile do Dia da Vitória mais discreto, alimentam avaliações de que Moscou pode estar buscando caminhos para encerrar o conflito.

Uma reportagem do Financial Times afirmou que Xi Jinping teria dito a Donald Trump que Putin poderia se arrepender da invasão da Ucrânia.

Apesar disso, especialistas afirmam que a China não deseja um colapso do regime russo. Moscou continua sendo um parceiro estratégico importante para Pequim, especialmente pela longa fronteira compartilhada e pelo fornecimento de energia.

A Rússia respondeu por quase 18% das importações de petróleo da China em 2025, enquanto o Irã representou cerca de 13% e os países do Golfo Pérsico aproximadamente 42%. As tensões no Oriente Médio e os riscos no Estreito de Ormuz aumentaram ainda mais a importância do petróleo russo para os chineses.

Analistas apontam, porém, que a relação entre China e Rússia é marcada por interesses comuns, mas também por limites. Embora os dois países mantenham alinhamento estratégico, Pequim evita ampliar excessivamente sua dependência energética de Moscou.

O especialista Claus Soong resumiu a relação afirmando que “China e Rússia são como um casal que divide a cama, mas com sonhos diferentes”.

Fonte: G1

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