PCC R$ 1 bilhão suspeito de ligação com PCC entra em fundo administrado por gestora investigada Redação18 de março de 202602 visualizações Comunicados bancários enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que o Fundo de Investimento em Direito Creditório (FIDC) Gold Style, administrado pela Reag, recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas investigadas pela Polícia Federal por participação em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Reag é responsável pela administração, controle, gestão, custódia e distribuição do fundo. A empresa também é citada pela Polícia Federal em investigações relacionadas a fraudes envolvendo o Banco Master. As informações foram repassadas pelo Coaf à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado e abrangem transações realizadas entre 2023 e 2025. O fundo Gold Style possui cerca de R$ 2 bilhões em ativos, conforme registros feitos junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Entre os principais aportes está o repasse de R$ 759,5 milhões da Aster Petróleo, distribuidora de combustíveis apontada como ligada ao PCC. De acordo com a Operação Carbono Oculto, a empresa teria sido utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis em oito estados brasileiros. O comunicado foi enviado pelo Banco do Brasil ao Coaf em agosto de 2024, antes da deflagração da operação. O fundo também recebeu R$ 158 milhões da BK Bank, fintech indicada pelas investigações como um dos núcleos financeiros usados pela facção para movimentar recursos, e R$ 175 milhões da Inovanti Instituição de Pagamento, citada em relatórios bancários por ter movimentado mais de R$ 778 milhões de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Em outro comunicado ao Coaf, a própria Reag informou que o Gold Style transferiu R$ 180 milhões para a Super Empreendimentos, empresa que teve como diretor, entre 2021 e 2024, Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. O registro foi feito uma semana após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, em setembro de 2025. A Reag também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e resultou na prisão de Vorcaro em 4 de março. Investigadores suspeitam que a gestora tenha participado da estruturação e administração de uma “ciranda” de fundos com movimentações consideradas atípicas, com indícios de fraude, ocultação de riscos e lavagem de dinheiro. Outra linha de apuração aponta que integrantes do PCC teriam utilizado a estrutura de fundos com cotista único para dificultar a identificação dos beneficiários finais dos recursos. Fonte: G1