Relatório aponta que Deolane divide cela por síndrome do pânico, diz Ministério Público

por Redação

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra está pernoitando na cela de outra detenta na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, após relatar sofrer de síndrome do pânico. A informação consta em um documento da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), obtido pelo Metrópoles, e integra a manifestação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contrária ao pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.

Segundo o documento, Deolane informou ter receio de passar mal durante a noite caso permanecesse sozinha na cela. Por esse motivo, solicitou autorização para dormir no mesmo espaço que outra presa. Embora pernoite em outra habitação, seus pertences continuam armazenados na cela originalmente destinada a ela.

O Ministério Público utiliza essa informação para sustentar que a permanência em cela compartilhada ocorreu por iniciativa da própria influenciadora, uma vez que havia disponibilidade para acomodação individual.

Ainda conforme o relatório, enquanto Deolane dorme na cela de outra detenta, sua cela é utilizada por outra interna durante a noite. O documento afirma que o espaço da influenciadora possui televisão, equipamento que não está disponível para todas as presas da unidade.

O relatório também registra que, no período em que Deolane chegou ao presídio, foi instalado um bebedouro de água gelada no Pavilhão Especial. Enquanto algumas detentas associam a melhoria à presença da influenciadora, a administração penitenciária afirma que a medida faz parte de uma melhoria estrutural destinada a todas as custodiadas. O documento também menciona que houve substituição regular do colchão e da colcha da advogada por itens novos.

Na manifestação apresentada à Justiça, o MPSP rebate argumentos da defesa relacionados às condições da unidade prisional. Segundo o órgão, não foram constatadas irregularidades quanto ao atendimento de saúde, alimentação, higiene, segurança, superlotação, acesso à água potável ou presença de animais peçonhentos.

O Ministério Público também afirma que o Pavilhão Especial já dispõe de estrutura que limita o contato de Deolane com as demais detentas e reforça que existia disponibilidade para que ela permanecesse em cela individual. No relatório, o órgão registra que a permanência em cela conjunta ocorreu de forma voluntária e com o consentimento da outra presa, em razão da síndrome do pânico relatada pela influenciadora.

O caso está inserido na investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. As apurações evoluíram para a Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, que investiga supostos vínculos entre uma transportadora e o PCC, além de movimentações financeiras consideradas incompatíveis pelas autoridades.

Durante a investigação, foram apreendidos elementos que, segundo os investigadores, apontam indícios de repasses financeiros a Deolane, além de supostas movimentações patrimoniais incompatíveis e possível conexão com integrantes ligados ao esquema investigado.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP) solicitou à Justiça a transferência de Deolane para prisão domiciliar ou para uma Sala de Estado-Maior. A entidade afirmou que o pedido foi apresentado após requerimento da defesa e negou qualquer tratamento privilegiado à advogada, sustentando que atua para garantir as prerrogativas profissionais sempre que formalmente acionada.

Fonte: G1

Leia também