Polícia Federal Relatório da PF expõe fissuras entre Polícia Federal, PGR e STF no caso Master Redação13 de fevereiro de 2026017 visualizações A entrega de um relatório de cerca de 200 páginas pela Polícia Federal (PF) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, evidenciou um ambiente de desconfiança entre a corporação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria Corte no inquérito que envolve o Banco Master. O documento trata de conexões entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro. Toffoli deixou a relatoria do caso na noite de quinta-feira (12), após pressão interna no tribunal. Fachin recebeu o material diretamente do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na segunda-feira (9), mas o fato só veio a público na quarta-feira (11). O relatório reúne informações extraídas do celular de Vorcaro, apreendido em novembro, incluindo diálogos, registros de ligações e evidências de pagamentos atribuídos ao grupo do banqueiro em favor de Toffoli. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tomou conhecimento do conteúdo apenas na quinta-feira (12), quando o documento foi formalmente encaminhado por Fachin para manifestação — depois de Toffoli já ter divulgado nota pública classificando o relatório como baseado em “ilações” e afirmando que a PF não teria poder para pedir sua suspeição. A corporação não solicitou formalmente o afastamento, mas apontou possíveis conflitos de interesse e indícios de crimes a serem apurados. Segundo fontes ouvidas, Andrei Rodrigues comunicou Gonet por telefone que entregaria a Fachin um relatório com “achados” relacionados a Toffoli, sem detalhar o teor. Embora não houvesse obrigação formal de compartilhar o conteúdo previamente com a PGR, a ausência de discussão mais aprofundada foi interpretada por integrantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Supremo como sinal de desconfiança institucional. Entre os elementos citados no relatório estão encontros marcados entre Toffoli e Vorcaro, convite para festa de aniversário do ministro e conversas sobre pagamentos que, segundo o documento, teriam ocorrido no fim de 2024 e somariam R$ 20 milhões. Após a divulgação dessas informações, Toffoli admitiu ter sido sócio de um hotel em Ribeirão Claro (PR), ao lado de dois irmãos e um primo. Perícia refeita O clima de tensão remonta a novembro, quando Toffoli assumiu o processo no Supremo após pedido da defesa de Vorcaro. O caso tramitava anteriormente na primeira instância. Em janeiro, o ministro restringiu o acesso da PF ao material apreendido na Operação Compliance Zero, o que gerou críticas internas. Antes disso, havia acusado a corporação de “inércia” e “falta de empenho” ao autorizar diligências. Posteriormente, recuou e autorizou o acesso do MPF, e depois permitiu a perícia da PF, limitada a quatro agentes por ele indicados. Nesse intervalo, a PF já havia extraído os dados do celular de Vorcaro. O aparelho foi encaminhado sem perícia à PGR, que iniciou a análise do zero e concluiu o trabalho apenas nesta semana, após a entrega do relatório a Fachin. Pressão sobre a PGR Com a divulgação do conteúdo, a pressão também se voltou contra a PGR, que já havia se manifestado duas vezes contra a suspeição de Toffoli após questionamentos de partidos políticos. Nos bastidores, investigadores demonstram ceticismo quanto à disposição do procurador-geral para defender o afastamento do ministro, mesmo com integrantes do STF classificando as revelações do relatório como de alto potencial explosivo. Gonet é próximo do decano Gilmar Mendes, que se posicionou publicamente em defesa de Toffoli. Sua indicação ao comando do MPF contou ainda com apoio do ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco de Vorcaro. Na quinta-feira, Toffoli determinou que a PF lhe enviasse os dados de todos os celulares apreendidos na investigação. No mesmo dia, Fachin reuniu os ministros a portas fechadas para discutir o relatório. Diante do isolamento entre os colegas, Toffoli deixou a relatoria, e o ministro André Mendonça foi sorteado como novo responsável pelo caso. No entorno da PGR, há preocupação de que o órgão seja arrastado para o centro da crise institucional desencadeada pelo caso Master. Fonte: OGLOBO