Relatório da PF mostra Bolsonaro alinhado a aliados de Trump e tentativa de pressionar autoridades brasileiras

por Redação

O relatório da Polícia Federal (PF) divulgado nesta quarta-feira (20) indica que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) buscou orientação do advogado Martin De Luca, representante da empresa Rumble e da Trump Media & Technology Group, para aprimorar sua comunicação sobre o “tarifaço” imposto ao Brasil pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Em áudio analisado pela PF, Bolsonaro afirma ter escrito um texto elogiando Trump, alegando que “a questão da liberdade tá muito acima da questão econômica”, e pede a De Luca que o guie sobre o que postar nas redes sociais. Para os investigadores, o pedido evidencia alinhamento com interesses externos e tentativa de usar medidas de outro governo em benefício próprio.

Segundo a PF, Bolsonaro e o filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atuaram para intimidar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e interferir na Ação Penal 2668, relacionada à tentativa de golpe de Estado. O relatório aponta que mensagens divulgadas nas redes sociais, com apoio do pastor Silas Malafaia, tinham o objetivo de evitar uma eventual condenação do ex-presidente e de outros investigados por crimes como organização criminosa, golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

Conflitos internos e estratégia internacional

O documento também revela divergências entre Jair e Eduardo Bolsonaro. Em um diálogo, o deputado admitiu que a atuação junto ao governo Trump visava blindar o pai de uma condenação no processo do golpe. Eduardo passou a publicar mensagens em inglês para o público externo, reforçando a aproximação com aliados do ex-presidente norte-americano.

Além do alinhamento com Trump, a PF encontrou no celular de Bolsonaro um rascunho de pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei, alegando perseguição política no Brasil. Para os investigadores, o documento demonstra que, desde 2024, o ex-presidente planejava formas de deixar o país para escapar da Justiça.

Fonte: G1

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