Brasil “Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo”, diz Lula após encontro na Malásia Redação27 de outubro de 2025019 visualizações O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (26) — já segunda-feira (27) na Malásia — que a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi “surpreendentemente boa”. Segundo Lula, ambos demonstraram disposição em resolver impasses comerciais entre os dois países. “Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo”, disse Lula em entrevista após o encontro. O presidente brasileiro reconheceu o direito de um chefe de Estado proteger sua indústria nacional com tarifas, mas criticou o aumento de 50% nas taxas americanas sobre produtos brasileiros, afirmando que a decisão foi baseada em informações “equivocadas”. “Agora não tem mais intermediário. É o presidente Lula com o presidente Trump”, afirmou. Lula declarou ter saído da reunião “satisfeito e otimista” e prometeu manter contato direto com o americano: “Se for preciso, já vou importuná-lo com um telefonema direto na próxima semana.” Conversa sobre Bolsonaro e Venezuela Durante o encontro, Lula afirmou ter conversado com Trump sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu disse para ele que o julgamento foi muito sério, com provas muito contundentes. Ele sabe que Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira.” Outro tema discutido foi a crise na Venezuela. Lula disse ter manifestado preocupação com a escalada das tensões e se colocou à disposição para atuar como mediador entre os países. “Queremos manter a América do Sul como zona de paz. Não queremos trazer conflitos de outras regiões para o nosso continente.” Relações comerciais e Brics Lula afirmou que o Brasil busca manter boas relações com todas as potências, evitando alinhamentos automáticos. “Não aceitamos uma nova Guerra Fria entre Estados Unidos e Rússia.” O presidente também declarou apoio à inclusão da Malásia nos Brics, grupo que hoje reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Emirados Árabes, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã. Durante a visita, Lula e o primeiro-ministro malaio Anwar Ibrahim assinaram atos de cooperação para ampliar o comércio e os investimentos bilaterais em áreas como energia, ciência, tecnologia e inovação. Foi a primeira visita de um presidente brasileiro à Malásia em 30 anos. Negociações e próximos passos Segundo o chanceler Mauro Vieira, o encontro marca o início das negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro deve pedir a suspensão temporária das tarifas americanas durante o processo. Trump e Lula também concordaram em realizar visitas recíprocas nos próximos meses. “O presidente Trump quer ir ao Brasil, e o presidente Lula também aceitou visitar os Estados Unidos no futuro”, disse Vieira. Fonte: G1