Mundo Seca prolongada na Argentina faz Santa Fé perder 317 mil vacas, aponta pesquisa Redação22 de outubro de 2025021 visualizações A seca persistente no norte da província de Santa Fé, na Argentina, segue impactando fortemente o setor pecuário. Apesar das chuvas recentes, os volumes ainda são insuficientes para recuperar os campos e rebanhos. Segundo relatório da Bolsa de Valores de Santa Fé, baseado em dados do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), o rebanho provincial somava cerca de 5,42 milhões de cabeças em julho de 2025, o que representa 12% do total nacional. O número, no entanto, indica uma queda de 2,5% em relação ao ano anterior, ou 137,6 mil animais a menos. As perdas mais acentuadas ocorreram nos departamentos de San Cristóbal, Nueve de Julio e General Obligado, concentrando mais de 100 mil cabeças a menos. Considerando o período de 2023 a 2025, Santa Fé já perdeu 317 mil vacas e novilhas, além de 155,8 mil bezerros, consolidando-se como uma das regiões mais afetadas pela seca no país. Impacto na economia rural A pecuária, base econômica da região, enfrenta dificuldades para se reerguer. “Aqui ocorreram duas situações típicas de qualquer seca”, explicou Rafael Alemán, presidente da Sociedade Rural de San Cristóbal. “Ao norte, onde a água subterrânea é salgada, muitos criadores dependem apenas das chuvas. Quando elas falham, o gado sofre. Já ao sul, a escassez de pasto leva os animais a consumir plantas tóxicas.” Alemán afirmou que, mesmo com breves chuvas em agosto, as precipitações cessaram em setembro, agravando o cenário. O governo provincial estendeu a emergência agrícola até 30 de outubro, quando decidirá se o auxílio será mantido. Tentativas de recuperação Apesar das perdas, o relatório apontou sinais de eficiência entre os produtores. Em 2025, a taxa de natalidade bovina subiu para 61,4%, superando a média histórica (2009–2024). O resultado é atribuído a práticas mais tecnificadas, como melhor manejo nutricional e seleção genética. Ainda assim, o desafio de recompor o rebanho é grande. “Muitos produtores venderam parte do gado para cobrir custos e agora estão descapitalizados. Alguns migraram para o cultivo de algodão ou arrendaram suas terras”, afirmou Alemán. A Bolsa de Valores de Santa Fé alerta que a redução do rebanho compromete o potencial de produção de carne e leite pelos próximos cinco anos. “Para reconstruir, será preciso chuva, crédito e infraestrutura. O campo está exausto”, concluiu Alemán. Fonte: OGLOBO