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Guti paga R$ 22,40 por ovo de Páscoa que custou R$ 13,65 para a cidade de Serrana

por Redação 14 de abril de 2022

O prefeito Guti está em meio a mais um polêmica envolvendo licitações. Dessa vez, Guarulhos comprou 116 mil ovos de Páscoa de 180 gramas da marca WEESP pelo preço de R$ 22,40 cada unidade. No entanto, a cidade de Serrana, também em São Paulo, adquiriu 6.800 ovos de Páscoa da mesma marca e peso pelo valor de R$ 13,65 cada.

A denúncia foi feita empresário Décio Pompêo, gestor do portal G7News, na noite desta quarta-feira (13).

Maria Aparecida Baizi Moreira, dona da empresa que vendeu os ovos mais baratos para Serrana, já fez parte do quadro societário da empresa Venezza Express que seria a fabricante dos ovos de Páscoa vendidos para a Prefeitura de Guarulhos, por quase o dobro do preço, por intermédio da W&C Alimentos Eireli, cuja atividade principal é comércio atacadista de frutas, verduras, raízes, tubérculos, hortaliças e legumes frescos.

Os ovos começaram a ser distribuídos nessa terça-feira (12) nas escolas do município. Segundo divulgado pela prefeitura para a imprensa, “o preço de cada ovo adquirido está em média 50% abaixo do valor de mercado”.   

Com informações do GNews

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Estudo aponta produtos cancerígenos na água de Guarulhos; Sabesp nega

por Redação 10 de março de 2022

Estudo aponta produtos cancerígenos na água de Guarulhos; Sabesp nega

Estudo divulgado essa semana pela ONG Repórter Brasil aponta que a água consumida pelos guarulhenses contem 11 substâncias químicas e radioativas em quantidades acima do limite aceito pelas autoridades sanitárias do país. Desses, dois (Selênio e Tetracloroeteno) tem os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer.

Além dos dois, outras 5 substâncias que também geram riscos à saúde e foram

encontrados na água da cidade são: .Simazina, Ácidos haloacéticos total, Trihalometanos Total, Antimônio e Bário.

Além de Guarulhos, o levantamento mostra que a situação também é preocupante em São Paulo (13 testes acima do limite) e Florianópolis (26).

Segundo apontado pela ONG, Todos nós bebemos pequenas doses diárias de substâncias químicas e radioativas. São agrotóxicos e outros resíduos da indústria que se misturam aos rios e represas. Alguns especialistas defendem que não há risco se elas estiverem dentro do limite regulamentado. Outros argumentam que as doses aceitas no Brasil são permissivas, pois são bem mais altas do que as da União Europeia.

No entanto, todos concordam em um ponto: essas substâncias são prejudiciais à saúde quando estão acima do limite brasileiro. O consumo diário aumenta o risco de câncer, mutações genéticas, problemas hormonais, nos rins, fígado e no sistema nervoso –a depender do produto.

Os dados apresentados no estudo foram coletados entre os anos de 2018 e 2020 e mostram que esses riscos atingem 763 cidades em todo o país.

Dados públicos

As informações divulgadas pela Repórter Brasil são públicas e podem ser consultadas por cidade no Mapa da Água, que destaca quais substâncias extrapolaram o limite e explica seus riscos. Os dados são resultados de testes feitos por empresas ou órgãos de abastecimento e enviados ao Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), do Ministério da Saúde.

Segundo a ONG, Os testes são feitos após o tratamento e a maioria dessas substâncias não pode ser removida por filtros ou fervendo a água.

Para Fábio Kummrow, professor de toxicologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e colaborador do estudo, confirma que a água estando contaminada “o risco para quem a bebe varia de acordo com a substância e com o número de vezes que ela foi consumida ao longo do tempo”.

Baseado nessa afirmação, Guarulhos e outras 81 cidades estão nessa situação, pois uma mesma substância foi encontrada acima do limite nos três anos analisados (2018, 2019 e 2020).

Ainda de acordo com a reportagem da Repórter Brasil, estudos que associam esses produtos ao câncer, mutações genéticas e diversos outros problemas de saúde são realizados pelos mais respeitados órgãos de saúde, como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e as agências regulatórias da União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Austrália.

Tratamento é apontado como vilão da contaminação

Healthcare Concept. Unrecognizable African Girl Drinking Glass of Mineral Water At Home, Cropped Image, Panorama With Copy Space
De acordo com os dados da ONG, as maiores responsáveis pelos problemas com a água no Brasil são substâncias geradas pelo próprio tratamento. Quando o cloro interage com elementos como algas, esgoto ou agrotóxicos, nascem os chamados “subprodutos da desinfecção”. Eles estão acima do limite em 493 cidades, 21% das que testaram.

Nota da Prefeitura de Guarulhos

“A Secretaria da Saúde por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) participa do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua), que consiste no conjunto de ações adotadas continuamente pelo setor para garantir à população o acesso à água em qualidade compatível com o padrão de potabilidade.

O SISAGUA é um instrumento do Vigiagua que tem como finalidade auxiliar o gerenciamento de riscos à saúde a partir dos dados gerados rotineiramente pelos profissionais do setor saúde (Vigilância) e responsáveis pelos serviços de abastecimento de água (Controle) e da geração de informações em tempo hábil para planejamento, tomada de decisão e execução de ações de saúde relacionadas à água para consumo humano.

Nenhuma das substâncias mencionadas: Trihalometanos, Ácidos haloacéticos e 2, 4, 6-Triclorofenol foram detectadas acima do volume máximo permitido, na água dos sistemas de abastecimento de água do município de Guarulhos, nas datas mencionadas e posteriores.

Os responsáveis pelos sistemas de abastecimento de água no município deverão, sempre que detectado qualquer parâmetro insatisfatório, realizar a correção dos mesmos, através de ações corretivas e preventivas e comunicá-las às autoridades de saúde pública.

A Vigilância Sanitária realiza mensalmente, diversas coletas e envio de amostras para análises laboratoriais, de forma a garantir a qualidade da água distribuída no município. As coletas de água são realizadas de forma amostral e preventiva. Atualmente, verificamos após a conclusão das análises laboratoriais um índice de amostras satisfatórias compatível com o padrão estabelecido na legislação vigente. Não foram detectados, cloro acima do limite nas amostras realizadas, na água dos sistemas de abastecimento de água do município.

Caso exista alguma amostra insatisfatória verificada após resultados das coletas realizadas, ou após análise do SISAGUA, tais resultados subsidiam as ações das autoridades sanitárias que, de forma imediata, tomam as providências necessárias para a correção sempre pensando na saúde da população.”


Nota oficial da Sabesp

“A Sabesp informa que, diferentemente do informado pela ONG Repórter Brasil, a água fornecida pela companhia não é imprópria e cumpre a legislação para potabilidade: Anexo XX

 da Portaria de Consolidação nº 5, alterado pelas Portarias GM/MS nº 888/21 e nº 2472/21 do Ministério da Saúde. Visando garantir sua qualidade, a Companhia monitora continuamente, conforme exigências do ministério, todas as etapas do sistema de abastecimento, desde o manancial, onde é feita a captação da água, as estações de tratamento, as redes de distribuição até o cavalete na entrada do imóvel dos clientes. Os dados são enviados ao Siságua, sistema do Ministério da Saúde, e são públicos, conforme mostra o acesso realizado pela ONG. Sempre que anomalias são constatadas, são tomadas as providências necessárias visando a regularização da situação. Conforme a legislação, o padrão de potabilidade deve ser avaliado levando-se em conta seu histórico completo. Os dados apresentados no Mapa da Água mostram resultados pontuais, sem considerar o histórico de medições exigido pela legislação brasileira. Essas medições apontam conformidade com os padrões de potabilidade e garantem a qualidade da água fornecida.”

Principais substâncias que foram detectadas na água de Guarulhos entre 2018 e 2020 e que pode gerar doenças crônicas, como câncer

Selênio – é classificado como provavelmente cancerígeno para humanos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. A exposição a altos níveis de selênio provoca descoloração da pele, deformação patológica, perda de unhas e cabelo, cárie, falta de agilidade mental e apatia. Historicamente, o principal uso do selênio foi na indústria eletrônica como fotorreceptor para fotocopiadoras. Hoje, é utilizado em aço inoxidável, esmaltes, tintas, borracha, baterias, explosivos, fertilizantes, ração animal, produtos farmacêuticos, e shampoos

Tetracloroeteno – é classificado como provavelmente cancerígeno para o ser humano pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde, com base em estudos epidemiológicos que evidenciaram aumento para o risco de câncer de esôfago e cervical e de linfoma não Hodgkin. A substância é utilizada como desengraxante de peças metálicas, em lavagens a seco, na indústria têxtil, de produtos de limpeza e de borracha laminada.

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CidadeGuarulhos

Sem salários, médicos vivem drama com sobrecarga em Guarulhos

por Redação 28 de janeiro de 2022

Médicos de hospitais de Guarulhos têm atuado sob condições precárias de trabalho e estão com salários atrasados há quatro meses. Profissionais do HMU (Hospital Municipal de Urgência) escreveram uma carta aberta à população da segunda maior cidade do estado e alegam que ainda não foram ouvidos pela prefeitura. Outros dois hospitais e uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) enfrentam problemas similares, segundo denúncias feitas ao R7.

Em uma dessas quatro unidades, o HMCA (Hospital Municipal da Criança e do Adolescente), um médico descreveu, em anonimato, “um hospital bem delapidado”: “Material quebrado, pacientes apertados nos quartos, leitos médicos com camas velhas…. o nosso banheiro não funcionava, a privada entupia e alagava o banheiro. Muita fila, pouco médico”.

No HMU, após a mudança de uma das OSSs (Organizações Sociais de Saúde) gestoras da unidade, os salários do período entre 10 de agosto e 20 de setembro não foram pagos nem pela empresa anterior, nem pela atual, nem pelo Executivo guarulhense.

Os problemas se estendem ainda à infraestrutura do hospital: segundo a carta, as condições nas enfermarias, com a falta de leitos e até de medicações e outros insumos essenciais para serviços de urgência e emergência, além da superlotação recorrente no local.

Vídeos e fotos enviados à reportagem mostram equipamentos em péssimas condições, inclusive uma lanterna sendo utilizada como iluminação em cirurgia, em vez de um refletor profissional.

“O hospital é bem precário, o centro cirúrgico bem ruim, peças que necessitamos na ortopedia sempre em estado ruim, ar-condicionado não funcionava, insetos voando na sala. Utilizávamos de modos pouco habituais para operar os pacientes”, relata, sob anonimato, um médico que atuou por anos na equipe de ortopedia da unidade.

Ele deixou o hospital devido à insatisfação com a estrutura e o atraso nos salários, e outros profissionais da área fizeram o mesmo. O departamento de ortopedia atua com equipe reduzida neste momento.

Com as condições precárias da unidade e os pagamentos atrasados, profissionais de diversas especialidades deixaram seus postos, e os que ficaram passaram a conviver com um novo contratempo: a falta de trabalhadores de diferentes departamentos médicos e a consequente sobrecarga de trabalho.

‘Um médico teve que, para operar, bater com um martelo em uma espécie de prego na perna do paciente, justamente para furar o osso porque nesse dia tinham acabado os perfuradores. E isso não aconteceu só uma vez’, relata denunciante

‘Um médico teve que, para operar, bater com um martelo em uma espécie de prego na perna do paciente, justamente para furar o osso porque nesse dia tinham acabado os perfuradores. E isso não aconteceu só uma vez’, relata denunciante

De acordo com o denunciante, em sua área eram realizadas cerca de cem cirurgias por mês – agora, não são mais feitas. “Os pacientes estão perdidos no mapa, coitados. Alguns acabam indo para o Hospital Geral de Guarulhos, outros vão para hospitais São Paulo, com a ajuda de algum familiar que mora lá”, conta.

O cenário é igualmente delicado ou até pior em outros hospitais de Guarulhos. À reportagem, funcionários e ex-funcionários descreveram as condições que encontraram nessas unidades:

Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso

Os problemas descritos sobre o HMU se repetem no HMPB (Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso), que passou por intervenção da prefeitura. A unidade, referência na região, enfrenta possivelmente o contexto mais crítico entre os relatos recebidos pela reportagem. Os profissionais que atuam ali sofreram recentemente com atrasos de salários – alguns não recebem há até seis meses –, do 13º, de cestas básicas, férias vencidas e não cumpridas.

A IDGT, OSS (Organização Social de Saúde) responsável pelo HMPB no período dos principais atrasos relatados, desligou-se oficialmente da administração do hospital em 20 de dezembro, e a gerência passou então para a Santa Casa de São Bernardo. Com a mudança, os médicos ficaram sem receber os pagamentos que faltavam, não conseguiram se comunicar com a organização que deixou a unidade e não serão ressarcidos nem pela atual administradora nem pela prefeitura.

‘Um médico teve que, para operar, bater com um martelo em uma espécie de prego na perna do paciente, justamente para furar o osso porque nesse dia tinham acabado os perfuradores. E isso não aconteceu só uma vez’, relata denunciante.

Também recorrentes são os problemas estruturais, como afirma uma médica que atuou ali por mais de dez anos – e se desligou do local devido à crise recente. Há relatos de episódios em que não havia ginecologistas nem obstetras para realizar os atendimentos, e grávidas em trabalho de parto chegavam ao pronto-socorro sem haver nenhum especialista para realizar o procedimento, que, em alguns casos, foi feito por médicos de cirurgia geral.

Além da escassez de profissionais, já que muitos deixaram a unidade por não receber o salário em dia, e da sobrecarga para os que restaram, segundo ela, faltam insumos e materiais básicos como luva, touca, gaze, algodão, cotonete, sabão, papel-toalha, fralda, absorvente, saco de lixo, material de limpeza, papel higiênico, álcool em gel, álcool liquido a 70%, copo descartável, equipamentos de bomba, e medicamentos como paracetamol, dipirona, vitaminas, hidrocortisona, entre outros citados.

“Presenciei cirurgias canceladas por falta de anestesista, anestesia ou equipamentos ortopédicos, outros insumos ou colchões aquecidos, e faxineiras sem produtos de limpeza, como cloro, panos descartáveis e sacos de lixo, limpando somente com água, incluindo o centro cirúrgico. Presenciei a falta de caixas de descarte, obrigando os colaboradores a jogar seringas e materiais infectantes em galões para encaminhar para coleta”, conta a profissional, em anonimato.

A falta de materiais e os atrasos de salário, relata a médica, eram comuns há pelo menos sete anos, na administração anterior, pela organização SPDM, mas pioraram após a troca para a IDGT, no início de 2020.

Ademais, recentemente o serviço de fonoaudiologia foi suspenso por falta de profissionais após a demissão e pedidos de demissão de todas as colaboradoras, com prejuízo nos atendimentos e na realização de testes de orelhinha e linguinha, que ganharam uma fila de espera ainda maior, e a unidade perdeu a referência de neurologia, mantendo pacientes no Cross para transferi-los a outros municípios.

Segundo a denunciante, desde que assumiu o hospital, em 2020, a IDGT nunca liberou férias para qualquer médico “celetista” (contratado via CLT), mesmo com a ciência de que alguns estavam com férias vencidas há mais de dois ou três anos. “Além disso, os médicos que solicitaram demissão não receberem as multas referentes, que deveriam ser o dobro do valor das férias”, relata.

Entre outros problemas trabalhistas, a médica ainda cita o atraso no pagamento de salário por mais de cinco meses a médicos contratados em regime de pessoa jurídica, o atraso de depósitos do FGTS, o não pagamento de plantões extras aos médicos que precisavam repor a ausência daqueles que decidiram sair e a não contratação de novos profissionais. Além disso, profissionais que pediram demissão não receberam as multas e verbas rescisórias por parte da IDGT, mesmo depois de ingressar com processo jurídico.

Com esse cenário, conta ela, houve redução de profissionais na escala, como ginecologistas, anestesistas, cirurgiões, pediatras, neonatologistas, clínicos, urologistas, neurologistas e ecocardiografistas, o que atrasou atendimentos e criou mais filas, desencadeando o cancelamento de cirurgias.

A IDGT permaneceu no hospital até o fim de 2021, quando a prefeitura realizou a intervenção na unidade e assumiu o controle da unidade por um mês, até a chegada da Santa Casa de São Bernardo. Segundo a médica, a nova empresa está solicitando a profissionais de diversos setores que visitem o departamento de recursos humanos para comunicar se vai contratá-los ou não.

Segundo a denunciante, nenhum médico celetista foi procurado para ser admitido pela nova empresa, que teria comunicado a médicos do corpo clínico que, na nova gestão, não contratariam médicos em regime de CLT, somente em regime de pessoa jurídica.

“Os médicos continuam trabalhando no hospital, sem saber como as coisas ficarão após o fim da intervenção. Desconhecemos os itens do contrato realizado entre a prefeitura e a Santa Casa de São Bernardo. São mais de 600 funcionários que não sabem se serão admitidos ou demitidos pela empresa antiga ou absorvidos pela ‘nova gestão’, trabalhando com ansiedade, medo e instabilidade”, relata.

Por fim, em relação a todas reclamações trabalhistas, entre atrasos e outros rendimentos não pagos, a Santa Casa de São Bernardo teria orientado os médicos a procurar seus direitos com a gestão anterior, da IDGT, pois seria ela quem deveria demitir e ressarcir os trabalhadores, e que a atual gestora não assumiria essas responsabilidades.

Outro médico, que atua como PJ no hospital, afirma que há anos os profissionais sofrem com os atrasos de pagamento, mas nunca tão longos como desta vez. “Em maio do ano passado começamos a ter atrasos que não foram pagos. Não sabemos o motivo. Cobrei várias vezes o doutor Carlos, nosso diretor, e ele não sabia o que estava acontecendo. Alguns médicos ficaram sem receber de junho em diante, e outros de agosto em diante. Desde então estamos sem receber. Não recebemos setembro, outubro, novembro, e em novembro a prefeitura assumiu”, conta ele, em condição de anonimato.

“A intervenção passou, foi embora e não recebemos nem o período da intervenção. Agora assumiu uma nova empresa, que até o momento não resolveu isso. Estamos com um problema sério de [falta de] médicos, que estão se demitindo e indo embora”, prossegue.

“O que os novos gestores disseram é que os médicos seriam contratados via PJ, e aqueles que eram CLT pela IDGT deveriam procurar ou processar a empresa para requerer as verbas, e que a Santa Casa não teria nenhum envolvimento com isso. É um caos, um desrespeito total”, afirma Gabriela Rodrigues, diretora de assuntos jurídicos do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo).

Hospital Municipal da Criança e do Adolescente de Guarulhos

O HMCA (Hospital Municipal da Criança e do Adolescente) de Guarulhos também esteve sob intervenção da gestão municipal e enfrentou os mesmos problemas das outras duas unidades. Em condição de anonimato, um médico da unidade enumerou as circustâncias que os profissionais que atuam ali vivenciam.

Devido a um suposto equívoco da IDGT, que administrava também esse hospital, os pagamentos dos plantões de setembro foram feitos de acordo com a planilha de julho; alguns profissionais receberam a menos, outros a mais, e os que chegaram ao HMCA depois, como o próprio denunciante, não receberam. Segundo ele, ficou acordado com o coordenador da organização de saúde que os médicos devolveriam os valores para serem pagos de maneira adequada, o que, mesmo após a devolução, não ocorreu.

“Desde então não tivemos mais notícias sobre esse pagamento. A OS quarteirizada, que deveria nos pagar, que era a empresa contratada pela OS contratada pela prefeitura, não nos pagou ainda”, conta o médico. A partir do atraso, relata ele, o coordenador da OS parou de responder [às cobranças deles], até que souberam que o problema estava se repetindo com os profissionais de outras especialidades do hospital, e que alguns estavam há ainda mais tempo sem receber.

Dali em diante, o contato passou a ser com a prefeitura, que, segundo o denunciante, teria assegurado o pagamento dos plantões da segunda quinzena de novembro em diante, mas não dos atrasados anteriormente – esses, segundo a gestão, ainda seriam de responsabilidade da OSS.

 “E assim a prefeitura lavou as mãos. No começo de dezembro, pela falta de pagamento, foi quando os colegas começaram a deixar os plantões. Em dezembro, quase toda a equipe parou, porque somos profissionais e precisamos receber pelo nosso trabalho, temos família”, afirmou o médico, que relatou ter se impressionado com a falta de informações e de transparência na contratação.

“O método de contratação é aleatório, nunca assinei um contrato. Não sabemos se somos celetistas ou terceirizados. Não era PJ nem RPA (recibo de pagamento autônomo). Simplesmente falavam para ir dar o plantão e depositavam o dinheiro na conta no mês seguinte. E isso me incomoda muito. Perguntei se precisávamos emitir nota, e nunca me responderam”, diz.

O trabalho também era prejudicado diante da alta rotatividade de profissionais em razão da insegurança de contratação, segundo ele: “É difícil os colegas quererem trabalhar lá. Com outras especialidades acontecia a mesma coisa, sem médicos todos os dias. Era sempre gente nova começando. O pessoal não parava no hospital, e várias pessoas sem experiência. A rotatividade denota um serviço que não está muito bem organizado”.

Após a intervenção da prefeitura, a unidade passou a ser administrada desde 21 de dezembro pela organização Beneficência Hospitalar Cesário Lange.

UPA Taboão – Guarulhos

Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Taboão, no Jardim Paraíso, o cenário é parecido com o dos três hospitais.

Juliana Salles, diretora do Simesp, afirma que na unidade os médicos – todo celestistas – também estão com os salários atrasados.

Eles deveriam receber em 20 de dezembro os pagamentos referentes a novembro, que até agora não foram efetuados.

Há, ainda, outros profissionais que, conforme saíram da escala, não receberam o salário referente aos trabalhos de setembro.

Além dos problemas financeiros, a UPA carece de medicamentos e insumos, passando por falhas no provisionamento desses remédios, explica a diretora do sindicato.

“Eles não preparam a quantidade necessária a um determinado período. É como se, em casa, você sabe que gasta 2 kg de açúcar por dia, mas compra só 1 kg para o próximo dia e fica com ele, segurando, para tentar usar só um por dia. E é o que ocorre na unidade: não há um adequado provisionamento dos insumos e medicações”, afirma ela.

A reportagem tentou contato com profissionais da unidade, que optaram por não falar.

Posicionamentos

O R7 procurou todas as organizações sociais citadas e a Prefeitura de Guarulhos e solicitou um posicionamento a respeito das denúncias relatadas na reportagem. Somente a gestão municipal e a Santa Casa de Birigui responderam.

Prefeitura de Guarulhos

Por meio de sua Secretaria da Saúde, a prefeitura enviou uma resposta sobre cada unidade:

Hospital Municipal de Urgências

Segundo a prefeitura, “não há constatação de falta de insumos ou medicamentos que possa afetar a assistência à população” no hospital, hoje administrado pela OSS Dom Saúde, e o quadro de profissionais contempla o plano de trabalho, porém, com um significativo aumento de demanda no último mês e o afastamento de profissionais, em maior pela Covid-19. “Destaca-se que a referida OSS ao assumir o hospital constatou que havia 15 leitos que estavam desativados por falta de camas e prontamente conseguiu disponibilizar para uso”, prossegue a nota. Por fim, a gestão nega os problemas relatados com a enfermaria e a falta de iluminação no centro cirúrgico.

Hospital Municipal da Criança e do Adolescente

Acerca do HMCA, a prefeitura afirma que realizou a intervenção em novembro, em regime de 24 horas por dia, para assegurar a assistência à população. A gestão relata ter constatado “o descumprimento de cláusulas contratuais, algumas que inclusive tiveram como consequência a aplicação de penalidades”, e que a fiscalização não registrou “falta de insumos, medicações que possa afetar a assistência à população”. A secretaria informa que, sobre os equipamentos danificados, notificou a OSS e está em processo de cotação para os reparos e manutenções dos equipamentos, e que “a maior parte dos problemas são estruturais”. O quadro de profissionais também está dentro do previsto, segundo a gestão, mas, como no HMU, “a demanda de atendimento substancialmente em todos os serviços de saúde”.

Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso

No caso do HMPB, a intervenção da prefeitura também constatou o descumprimento de cláusulas contratuais, “algumas que inclusive tiveram como consequência a aplicação de penalidades”. A fiscalização identificou a falta de insumos e medicações, oficiando a OSS responsável – “aguardamos esclarecimentos quanto à regularização”. Como a atual gestora não possui responsabilidade sobre os pagamentos dos salários atrasados, prossegue a nota, a prefeitura realiza “tratativas através de processo administrativo para a regularização dos dias em questão junto à OSS anterior, bem como o que couber à prefeitura será devidamente regularizado”.

UPA Taboão

Sobre a UPA Taboão, a prefeitura afirma que não há informações sobre verbas salariais pendentes, mas que oficiou a OSS responsável (Instituto de Saúde Nossa Senhora de Vitória) para prestar esclarecimentos.

Santa Casa de Birigui

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui, responsável pela gestão do HMU até o ano passado, relata que o contrato – de R$ 5.741.935,48 mensais – havia sido assinado em 2018, mas que somente em abril de 2020 a prefeitura assinou com a Santa Casa o contrato definitivo para ser executado em 60 meses, com valor anual de R$ 381.867.940.

Porém, segundo a organização, “a administração municipal iniciou a retirada da Santa Casa, que culminou em setembro de 2021 com o rompimento do contrato com a mesma e a sub-rogação de diretos a outra organização social”, deixando em aberto um crédito de aproximadamente R$ 10 milhões. A quantia está sendo cobrada judicialmente, conclui a empresa.

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Sem salários, médicos vivem drama com sobrecarga em Guarulhos

por Redação 28 de janeiro de 2022

Médicos de hospitais de Guarulhos têm atuado sob condições precárias de trabalho e estão com salários atrasados há quatro meses. Profissionais do HMU (Hospital Municipal de Urgência) escreveram uma carta aberta à população da segunda maior cidade do estado e alegam que ainda não foram ouvidos pela prefeitura. Outros dois hospitais e uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) enfrentam problemas similares, segundo denúncias feitas ao R7.

Em uma dessas quatro unidades, o HMCA (Hospital Municipal da Criança e do Adolescente), um médico descreveu, em anonimato, “um hospital bem delapidado”: “Material quebrado, pacientes apertados nos quartos, leitos médicos com camas velhas…. o nosso banheiro não funcionava, a privada entupia e alagava o banheiro. Muita fila, pouco médico”.

No HMU, após a mudança de uma das OSSs (Organizações Sociais de Saúde) gestoras da unidade, os salários do período entre 10 de agosto e 20 de setembro não foram pagos nem pela empresa anterior, nem pela atual, nem pelo Executivo guarulhense.

Os problemas se estendem ainda à infraestrutura do hospital: segundo a carta, as condições nas enfermarias, com a falta de leitos e até de medicações e outros insumos essenciais para serviços de urgência e emergência, além da superlotação recorrente no local.

Vídeos e fotos enviados à reportagem mostram equipamentos em péssimas condições, inclusive uma lanterna sendo utilizada como iluminação em cirurgia, em vez de um refletor profissional.

“O hospital é bem precário, o centro cirúrgico bem ruim, peças que necessitamos na ortopedia sempre em estado ruim, ar-condicionado não funcionava, insetos voando na sala. Utilizávamos de modos pouco habituais para operar os pacientes”, relata, sob anonimato, um médico que atuou por anos na equipe de ortopedia da unidade.

Ele deixou o hospital devido à insatisfação com a estrutura e o atraso nos salários, e outros profissionais da área fizeram o mesmo. O departamento de ortopedia atua com equipe reduzida neste momento.

Com as condições precárias da unidade e os pagamentos atrasados, profissionais de diversas especialidades deixaram seus postos, e os que ficaram passaram a conviver com um novo contratempo: a falta de trabalhadores de diferentes departamentos médicos e a consequente sobrecarga de trabalho.

‘Um médico teve que, para operar, bater com um martelo em uma espécie de prego na perna do paciente, justamente para furar o osso porque nesse dia tinham acabado os perfuradores. E isso não aconteceu só uma vez’, relata denunciante

‘Um médico teve que, para operar, bater com um martelo em uma espécie de prego na perna do paciente, justamente para furar o osso porque nesse dia tinham acabado os perfuradores. E isso não aconteceu só uma vez’, relata denunciante

De acordo com o denunciante, em sua área eram realizadas cerca de cem cirurgias por mês – agora, não são mais feitas. “Os pacientes estão perdidos no mapa, coitados. Alguns acabam indo para o Hospital Geral de Guarulhos, outros vão para hospitais São Paulo, com a ajuda de algum familiar que mora lá”, conta.

O cenário é igualmente delicado ou até pior em outros hospitais de Guarulhos. À reportagem, funcionários e ex-funcionários descreveram as condições que encontraram nessas unidades:

Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso

Os problemas descritos sobre o HMU se repetem no HMPB (Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso), que passou por intervenção da prefeitura. A unidade, referência na região, enfrenta possivelmente o contexto mais crítico entre os relatos recebidos pela reportagem. Os profissionais que atuam ali sofreram recentemente com atrasos de salários – alguns não recebem há até seis meses –, do 13º, de cestas básicas, férias vencidas e não cumpridas.

A IDGT, OSS (Organização Social de Saúde) responsável pelo HMPB no período dos principais atrasos relatados, desligou-se oficialmente da administração do hospital em 20 de dezembro, e a gerência passou então para a Santa Casa de São Bernardo. Com a mudança, os médicos ficaram sem receber os pagamentos que faltavam, não conseguiram se comunicar com a organização que deixou a unidade e não serão ressarcidos nem pela atual administradora nem pela prefeitura.

‘Um médico teve que, para operar, bater com um martelo em uma espécie de prego na perna do paciente, justamente para furar o osso porque nesse dia tinham acabado os perfuradores. E isso não aconteceu só uma vez’, relata denunciante.

Também recorrentes são os problemas estruturais, como afirma uma médica que atuou ali por mais de dez anos – e se desligou do local devido à crise recente. Há relatos de episódios em que não havia ginecologistas nem obstetras para realizar os atendimentos, e grávidas em trabalho de parto chegavam ao pronto-socorro sem haver nenhum especialista para realizar o procedimento, que, em alguns casos, foi feito por médicos de cirurgia geral.

Além da escassez de profissionais, já que muitos deixaram a unidade por não receber o salário em dia, e da sobrecarga para os que restaram, segundo ela, faltam insumos e materiais básicos como luva, touca, gaze, algodão, cotonete, sabão, papel-toalha, fralda, absorvente, saco de lixo, material de limpeza, papel higiênico, álcool em gel, álcool liquido a 70%, copo descartável, equipamentos de bomba, e medicamentos como paracetamol, dipirona, vitaminas, hidrocortisona, entre outros citados.

“Presenciei cirurgias canceladas por falta de anestesista, anestesia ou equipamentos ortopédicos, outros insumos ou colchões aquecidos, e faxineiras sem produtos de limpeza, como cloro, panos descartáveis e sacos de lixo, limpando somente com água, incluindo o centro cirúrgico. Presenciei a falta de caixas de descarte, obrigando os colaboradores a jogar seringas e materiais infectantes em galões para encaminhar para coleta”, conta a profissional, em anonimato.

A falta de materiais e os atrasos de salário, relata a médica, eram comuns há pelo menos sete anos, na administração anterior, pela organização SPDM, mas pioraram após a troca para a IDGT, no início de 2020.

Ademais, recentemente o serviço de fonoaudiologia foi suspenso por falta de profissionais após a demissão e pedidos de demissão de todas as colaboradoras, com prejuízo nos atendimentos e na realização de testes de orelhinha e linguinha, que ganharam uma fila de espera ainda maior, e a unidade perdeu a referência de neurologia, mantendo pacientes no Cross para transferi-los a outros municípios.

Segundo a denunciante, desde que assumiu o hospital, em 2020, a IDGT nunca liberou férias para qualquer médico “celetista” (contratado via CLT), mesmo com a ciência de que alguns estavam com férias vencidas há mais de dois ou três anos. “Além disso, os médicos que solicitaram demissão não receberem as multas referentes, que deveriam ser o dobro do valor das férias”, relata.

Entre outros problemas trabalhistas, a médica ainda cita o atraso no pagamento de salário por mais de cinco meses a médicos contratados em regime de pessoa jurídica, o atraso de depósitos do FGTS, o não pagamento de plantões extras aos médicos que precisavam repor a ausência daqueles que decidiram sair e a não contratação de novos profissionais. Além disso, profissionais que pediram demissão não receberam as multas e verbas rescisórias por parte da IDGT, mesmo depois de ingressar com processo jurídico.

Com esse cenário, conta ela, houve redução de profissionais na escala, como ginecologistas, anestesistas, cirurgiões, pediatras, neonatologistas, clínicos, urologistas, neurologistas e ecocardiografistas, o que atrasou atendimentos e criou mais filas, desencadeando o cancelamento de cirurgias.

A IDGT permaneceu no hospital até o fim de 2021, quando a prefeitura realizou a intervenção na unidade e assumiu o controle da unidade por um mês, até a chegada da Santa Casa de São Bernardo. Segundo a médica, a nova empresa está solicitando a profissionais de diversos setores que visitem o departamento de recursos humanos para comunicar se vai contratá-los ou não.

Segundo a denunciante, nenhum médico celetista foi procurado para ser admitido pela nova empresa, que teria comunicado a médicos do corpo clínico que, na nova gestão, não contratariam médicos em regime de CLT, somente em regime de pessoa jurídica.

“Os médicos continuam trabalhando no hospital, sem saber como as coisas ficarão após o fim da intervenção. Desconhecemos os itens do contrato realizado entre a prefeitura e a Santa Casa de São Bernardo. São mais de 600 funcionários que não sabem se serão admitidos ou demitidos pela empresa antiga ou absorvidos pela ‘nova gestão’, trabalhando com ansiedade, medo e instabilidade”, relata.

Por fim, em relação a todas reclamações trabalhistas, entre atrasos e outros rendimentos não pagos, a Santa Casa de São Bernardo teria orientado os médicos a procurar seus direitos com a gestão anterior, da IDGT, pois seria ela quem deveria demitir e ressarcir os trabalhadores, e que a atual gestora não assumiria essas responsabilidades.

Outro médico, que atua como PJ no hospital, afirma que há anos os profissionais sofrem com os atrasos de pagamento, mas nunca tão longos como desta vez. “Em maio do ano passado começamos a ter atrasos que não foram pagos. Não sabemos o motivo. Cobrei várias vezes o doutor Carlos, nosso diretor, e ele não sabia o que estava acontecendo. Alguns médicos ficaram sem receber de junho em diante, e outros de agosto em diante. Desde então estamos sem receber. Não recebemos setembro, outubro, novembro, e em novembro a prefeitura assumiu”, conta ele, em condição de anonimato.

“A intervenção passou, foi embora e não recebemos nem o período da intervenção. Agora assumiu uma nova empresa, que até o momento não resolveu isso. Estamos com um problema sério de [falta de] médicos, que estão se demitindo e indo embora”, prossegue.

“O que os novos gestores disseram é que os médicos seriam contratados via PJ, e aqueles que eram CLT pela IDGT deveriam procurar ou processar a empresa para requerer as verbas, e que a Santa Casa não teria nenhum envolvimento com isso. É um caos, um desrespeito total”, afirma Gabriela Rodrigues, diretora de assuntos jurídicos do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo).

Hospital Municipal da Criança e do Adolescente de Guarulhos

O HMCA (Hospital Municipal da Criança e do Adolescente) de Guarulhos também esteve sob intervenção da gestão municipal e enfrentou os mesmos problemas das outras duas unidades. Em condição de anonimato, um médico da unidade enumerou as circustâncias que os profissionais que atuam ali vivenciam.

Devido a um suposto equívoco da IDGT, que administrava também esse hospital, os pagamentos dos plantões de setembro foram feitos de acordo com a planilha de julho; alguns profissionais receberam a menos, outros a mais, e os que chegaram ao HMCA depois, como o próprio denunciante, não receberam. Segundo ele, ficou acordado com o coordenador da organização de saúde que os médicos devolveriam os valores para serem pagos de maneira adequada, o que, mesmo após a devolução, não ocorreu.

“Desde então não tivemos mais notícias sobre esse pagamento. A OS quarteirizada, que deveria nos pagar, que era a empresa contratada pela OS contratada pela prefeitura, não nos pagou ainda”, conta o médico. A partir do atraso, relata ele, o coordenador da OS parou de responder [às cobranças deles], até que souberam que o problema estava se repetindo com os profissionais de outras especialidades do hospital, e que alguns estavam há ainda mais tempo sem receber.

Dali em diante, o contato passou a ser com a prefeitura, que, segundo o denunciante, teria assegurado o pagamento dos plantões da segunda quinzena de novembro em diante, mas não dos atrasados anteriormente – esses, segundo a gestão, ainda seriam de responsabilidade da OSS.

 “E assim a prefeitura lavou as mãos. No começo de dezembro, pela falta de pagamento, foi quando os colegas começaram a deixar os plantões. Em dezembro, quase toda a equipe parou, porque somos profissionais e precisamos receber pelo nosso trabalho, temos família”, afirmou o médico, que relatou ter se impressionado com a falta de informações e de transparência na contratação.

“O método de contratação é aleatório, nunca assinei um contrato. Não sabemos se somos celetistas ou terceirizados. Não era PJ nem RPA (recibo de pagamento autônomo). Simplesmente falavam para ir dar o plantão e depositavam o dinheiro na conta no mês seguinte. E isso me incomoda muito. Perguntei se precisávamos emitir nota, e nunca me responderam”, diz.

O trabalho também era prejudicado diante da alta rotatividade de profissionais em razão da insegurança de contratação, segundo ele: “É difícil os colegas quererem trabalhar lá. Com outras especialidades acontecia a mesma coisa, sem médicos todos os dias. Era sempre gente nova começando. O pessoal não parava no hospital, e várias pessoas sem experiência. A rotatividade denota um serviço que não está muito bem organizado”.

Após a intervenção da prefeitura, a unidade passou a ser administrada desde 21 de dezembro pela organização Beneficência Hospitalar Cesário Lange.

UPA Taboão – Guarulhos

Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Taboão, no Jardim Paraíso, o cenário é parecido com o dos três hospitais.

Juliana Salles, diretora do Simesp, afirma que na unidade os médicos – todo celestistas – também estão com os salários atrasados.

Eles deveriam receber em 20 de dezembro os pagamentos referentes a novembro, que até agora não foram efetuados.

Há, ainda, outros profissionais que, conforme saíram da escala, não receberam o salário referente aos trabalhos de setembro.

Além dos problemas financeiros, a UPA carece de medicamentos e insumos, passando por falhas no provisionamento desses remédios, explica a diretora do sindicato.

“Eles não preparam a quantidade necessária a um determinado período. É como se, em casa, você sabe que gasta 2 kg de açúcar por dia, mas compra só 1 kg para o próximo dia e fica com ele, segurando, para tentar usar só um por dia. E é o que ocorre na unidade: não há um adequado provisionamento dos insumos e medicações”, afirma ela.

A reportagem tentou contato com profissionais da unidade, que optaram por não falar.

Posicionamentos

O R7 procurou todas as organizações sociais citadas e a Prefeitura de Guarulhos e solicitou um posicionamento a respeito das denúncias relatadas na reportagem. Somente a gestão municipal e a Santa Casa de Birigui responderam.

Prefeitura de Guarulhos

Por meio de sua Secretaria da Saúde, a prefeitura enviou uma resposta sobre cada unidade:

Hospital Municipal de Urgências

Segundo a prefeitura, “não há constatação de falta de insumos ou medicamentos que possa afetar a assistência à população” no hospital, hoje administrado pela OSS Dom Saúde, e o quadro de profissionais contempla o plano de trabalho, porém, com um significativo aumento de demanda no último mês e o afastamento de profissionais, em maior pela Covid-19. “Destaca-se que a referida OSS ao assumir o hospital constatou que havia 15 leitos que estavam desativados por falta de camas e prontamente conseguiu disponibilizar para uso”, prossegue a nota. Por fim, a gestão nega os problemas relatados com a enfermaria e a falta de iluminação no centro cirúrgico.

Hospital Municipal da Criança e do Adolescente

Acerca do HMCA, a prefeitura afirma que realizou a intervenção em novembro, em regime de 24 horas por dia, para assegurar a assistência à população. A gestão relata ter constatado “o descumprimento de cláusulas contratuais, algumas que inclusive tiveram como consequência a aplicação de penalidades”, e que a fiscalização não registrou “falta de insumos, medicações que possa afetar a assistência à população”. A secretaria informa que, sobre os equipamentos danificados, notificou a OSS e está em processo de cotação para os reparos e manutenções dos equipamentos, e que “a maior parte dos problemas são estruturais”. O quadro de profissionais também está dentro do previsto, segundo a gestão, mas, como no HMU, “a demanda de atendimento substancialmente em todos os serviços de saúde”.

Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso

No caso do HMPB, a intervenção da prefeitura também constatou o descumprimento de cláusulas contratuais, “algumas que inclusive tiveram como consequência a aplicação de penalidades”. A fiscalização identificou a falta de insumos e medicações, oficiando a OSS responsável – “aguardamos esclarecimentos quanto à regularização”. Como a atual gestora não possui responsabilidade sobre os pagamentos dos salários atrasados, prossegue a nota, a prefeitura realiza “tratativas através de processo administrativo para a regularização dos dias em questão junto à OSS anterior, bem como o que couber à prefeitura será devidamente regularizado”.

UPA Taboão

Sobre a UPA Taboão, a prefeitura afirma que não há informações sobre verbas salariais pendentes, mas que oficiou a OSS responsável (Instituto de Saúde Nossa Senhora de Vitória) para prestar esclarecimentos.

Santa Casa de Birigui

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui, responsável pela gestão do HMU até o ano passado, relata que o contrato – de R$ 5.741.935,48 mensais – havia sido assinado em 2018, mas que somente em abril de 2020 a prefeitura assinou com a Santa Casa o contrato definitivo para ser executado em 60 meses, com valor anual de R$ 381.867.940.

Porém, segundo a organização, “a administração municipal iniciou a retirada da Santa Casa, que culminou em setembro de 2021 com o rompimento do contrato com a mesma e a sub-rogação de diretos a outra organização social”, deixando em aberto um crédito de aproximadamente R$ 10 milhões. A quantia está sendo cobrada judicialmente, conclui a empresa.

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GuarulhosOutros

Acessibilidade zero em Guarulhos

por Redação 10 de janeiro de 2022

Internauta reclama da falta de acessibilidade da calçada na Avenida Dr. Renato de Andrade Maia, 1049, no Maia.

Fotos enviadas à nossa redação mostram a dificuldade que cadeirantes ou pessoas com dificuldade de mobilidade enfrentam diariamente em Guarulhos.

A pasta responsável em dar suporte ao poder executivo na articulação das secretarias municipais para promoção de ações que garantam a participação das pessoas com deficiência nas atividades de esporte, lazer, educação e cultura é a Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, atualmente comandada pelo ex-vereador Gilberto Penido.

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CidadeEntretenimentoGuarulhos

Representante da Vila Camargo é eleita Miss Guarulhos 2021

por Redação 13 de dezembro de 2021

No último sábado (11) a cidade de Guarulhos conheceu sua nova miss. Nathália Gonçalves, de 23 anos, moradora da Vila Camargo, venceu o concurso realizado no Teatro Adamastor.

Os jurados elegeram também as duas princesas: Mariele Oliveira, de 24 anos, moradora da Vila Branca, e Priscila Moura (22), do Jardim Flor da Montanha. A Miss Simpatia, escolhida pelas próprias candidatas, foi Maitê Ferreira (23), do Jardim Tranquilidade.

“Agradeço à Prefeitura por organizar esse evento lindo, e também a todas as pessoas que sonharam comigo”, comentou a nova representante da beleza do município, Nathália Gonçalves.

Miss Digital

Pela primeira vez os seguidores do perfil @turismodeguarulhos, no Instagram, puderam eleger a Miss Digital. Elaine Barros, de 25 anos, moradora do Cocaia, foi a preferida dos internautas.

O evento Miss Guarulhos 2021 foi realizado pela Prefeitura por meio do Departamento de Turismo da Secretaria de Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação (SDCETI).

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CidadeGuarulhos

Educação prevê orçamento de R$ 1.3 bi para o próximo ano

por Redação 13 de dezembro de 2021

LOA 2022 – Educação – 13.12.2021

Em audiência pública para discutir a Lei Orçamentária Anual (LOA), a Secretaria de Educação expôs dados de sua Pasta na manhã desta segunda-feira (13). Os trabalhos foram presididos pelo vereador Geraldo Celestino (PSC) e contaram com a explanação do secretário Alex Viterale.   

De acordo com a exposição, a secretaria prevê um orçamento total de aproximadamente R$ 1.3 bi para o próximo ano. Esses recursos são provenientes do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), da Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, da Quota Salário Educação, do Programa Nacional de Alimentação Escolar, do Programa Brasil Carinhoso, do Proinfância e do Fundo Municipal de Educação.  

Viterale explicou que o gasto previsto com pessoal é cerca de R$ 749 milhões. Para investimentos, o secretário apresentou um total de R$ 42 milhões, o que representa 3% do valor total do orçamento. Segundo ele, um aumento de R$ 23 milhões em comparação ao destinado para investimentos no ano de 2021.  

Questionado pelo vereador Edmilson (PSOL) em relação aos gastos com contratação por PPP (Parceria Público–Privada), Alex Viterale afirmou que o orçamento apresentado já abrange a questão. “Quando sagrar o vencedor do processo, os contratos que temos hoje de manutenção e zeladoria deixarão de existir porque isso já está contemplado dentro da PPP. A única coisa que está fora é a questão pedagógica, isso não entra. Os demais serviços serão abarcados pela PPP”, disse.  

Sobre a contratação de novos profissionais em 2022, Viterale destacou que há alguns concursos vigentes e a secretaria está aguardando a homologação dos certames. “A previsão da homologação é para o dia 17/12. Essa foi a data que Vunesp nos passou. E temos projeção de abertura de novos concursos para o próximo exercício”, completou o secretário.  

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GuarulhosSaúde

Parceria entre Prefeitura e ONG oferece mamografias gratuitas até sábado

por Redação 5 de outubro de 2021

A Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social de Guarulhos, por meio do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Santos Dumont, estabeleceu uma parceria com a ONG Américas Amigas que oferta exames de mamografia gratuitos para 30 mulheres atendidas por aquele equipamento.

Trata-se de mais uma ação de prevenção e combate ao câncer de mama durante o Outubro Rosa, mês dedicado ao tema. A ONG Américas Amigas está disponibilizando os exames na Carreta da Mamografia, instalada no Shopping Bonsucesso, até este sábado (9) a mulheres a partir de 40 anos inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e que sejam contempladas por programas de transferência de renda como Bolsa Família, Renda Cidadã e Ação Jovem.

O Outubro Rosa é uma campanha nacional que visa a alertar as mulheres e a sociedade a respeito da importância de prevenir e diagnosticar precocemente o câncer de mama e o câncer de colo de útero. A ideia da Prefeitura é expandir esse atendimento para outros Cras espalhados pela cidade.

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CidadeGuarulhos

Banco de Leite Humano de Guarulhos completa 21 anos

por Redação 1 de outubro de 2021

Há mais de duas décadas o Banco de Leite Humano Municipal de Guarulhos (BLHG) presta atendimento a mães com dificuldade no aleitamento materno ou que desejam doar leite, além de fazer orientações quanto à postura, posicionamento e pega da mama. Em média, o serviço, que completou 21 anos nesta quarta-feira (29), atende cerca de 2 mil usuárias por ano e faz parte da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, a maior e mais complexa mundo.

Para se ter uma ideia, o programa é modelo para a cooperação internacional em mais de 20 países das Américas, da Europa e da África, estabelecida por meio da Agência Brasileira de Cooperação. Em Guarulhos, o BLHG ainda capacita profissionais de saúde e realiza grupos educativos de gestantes, shantala (um tipo de massagem indiana) e introdução alimentar com aproximadamente 300 participantes por ano.

Mas não só. Anualmente o serviço realiza cerca de 1.400 coletas na residência de doadoras solidárias de leite humano ordenhado. Inclusive, neste período de pandemia, 50 doadoras mantiveram a solidariedade, e graças a elas os recém-nascidos do Hospital e Maternidade Jesus, José e Maria, do Hospital Geral de Guarulhos e da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Suzano puderam ser nutridos. A média de leite humano doado anualmente pelo BLHG é de 550 litros para aproximadamente 900 recém-nascidos. 

O leite doado passa por um rigoroso processo de controle de qualidade para inativar 100% dos microrganismos patogênicos que possam estar presentes, o que pode ser visto no vídeo institucional que a Prefeitura de Guarulhos lançou em seu canal do YouTube nesta quinta-feira (30) para que a população possa ter acesso ao trabalho oferecido pelo serviço.

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CidadeGuarulhos

Guarulhos sedia Copa e Troféu São Paulo de Ginástica Acrobática neste sábado

por Redação 1 de outubro de 2021

Neste sábado (2) Guarulhos será sede da Copa São Paulo e da 2ª fase do Troféu São Paulo de Ginástica Acrobática, realizados pela Federação Paulista de Ginástica (FPG) em parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. Os eventos acontecerão no Ginásio Bonifácio Cardoso, Vila Tijuco, a partir das 9h.

Com a finalidade de massificar a modalidade, permitindo a participação de profissionais de várias categorias, os eventos deste final de semana reunirão cerca de 60 atletas, sendo 14 guarulhenses das categorias pré-infantil, infantil e juvenil. O secretário de Esporte e Lazer, Ronaldo Fratello, enalteceu a importância das competições e sua realização na cidade.

“Eventos como esse são fundamentais para o desenvolvimento e a massificação da modalidade. Ficamos felizes em novamente sediá-los, já que enriquecem muito o calendário esportivo da cidade”, comentou.

As competições seguirão todos os protocolos de proteção à covid-19 e serão restritos ao público que participará das competições.

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  • Guarulhos é um município da Região Metropolitana de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil.
  • Clima: tropical de altitude (Cwa)
  • Altitude: 759 m
  • Emancipação: 24 de março de 1880 (143 anos)
  • Fundação: 8 de dezembro de 1560 (462 anos)

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