O porto de La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela há seis dias, foi transformado em um necrotério improvisado para receber os corpos retirados dos escombros dos edifícios que desabaram.
Segundo a agência AFP, médicos legistas trabalham no local entre dezenas de sacos mortuários empilhados no chão. Parte das vítimas já foi colocada em caixões de madeira, enquanto uma grande quantidade de caixões vazios permanece ao lado da estrutura montada para a operação.
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na quarta-feira, devastaram o estado costeiro de La Guaira, vizinho a Caracas. O último balanço oficial aponta 1.719 mortos, mas o número continua aumentando à medida que novas vítimas são retiradas dos escombros.
Nos primeiros dias da tragédia, feridos e corpos foram levados para hospitais da região. No entanto, os necrotérios das unidades de saúde rapidamente ficaram sem capacidade para atender à demanda, levando as autoridades a improvisarem a estrutura no porto.
Enquanto aguardam a identificação das vítimas, familiares enfrentam longas filas. Muitos carregam flores e relatam dificuldades diante da falta de pessoal para atender à emergência, além de criticarem a condução da crise. Também afirmam que, em muitos casos, as buscas nos escombros têm sido realizadas sem apoio das autoridades.
Entre os relatos, Wilker Molalla, de 25 anos, afirmou aguardar a identificação da irmã e dos sobrinhos, enquanto apenas ele e um irmão sobreviveram por estarem trabalhando no momento dos tremores. Antony Marcano contou que encontrou o corpo da filha apenas no segundo dia de buscas e conseguiu reconhecê-la por um anel que havia lhe dado.
No porto são emitidas certidões de óbito e autorizações para cremação. Um caminhão especializado também recolhe amostras para exames periciais, enquanto funerárias privadas oferecem gratuitamente serviços de transporte e cremação das vítimas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que enviará 10 mil bolsas mortuárias para auxiliar no atendimento à tragédia. Embora o governo venezuelano não divulgue um número oficial de desaparecidos, a ONU estima que cerca de 50 mil pessoas ainda estejam nessa condição.
A tragédia também atingiu conjuntos habitacionais construídos pelo governo. No complexo Hugo Chávez I, em Catia La Mar, milhares de apartamentos foram evacuados após desabamentos e o surgimento de grandes rachaduras. Moradores relatam que muitos edifícios estão à beira do colapso e afirmam não ter conseguido retornar para retirar seus pertences.
Fonte: G1