Uma viagem de 4.548 quilômetros, passando por seis estados e cerca de 65 municípios, é considerada a rota de ônibus mais longa do Brasil. O trajeto liga Porto Alegre (RS) a Santarém (PA) e dura, em média, três dias e quatro horas.
Operada pela empresa Ouro e Prata, a linha possui três partidas diárias da capital gaúcha — às 6h30, 11h e 18h30. O último horário é o mais procurado, embora também seja o mais demorado: três dias, quatro horas e 45 minutos de percurso. O valor da passagem parte de R$ 1.952,99, variando conforme o horário e a data da viagem.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus semi-leito usado na linha precisa oferecer reclinação mínima de 45°, distância de 28 cm entre poltronas, apoio para as pernas e água mineral à vontade. O modelo utilizado também conta com Wi-Fi a bordo e entradas USB para carregar dispositivos.
Durante o trajeto, há paradas para refeições e banhos a cada 500 km, além da higienização constante dos banheiros — ao menos 18 vezes por viagem. No total, nove motoristas se revezam para completar o percurso.
O motorista Alceu Nunes Cavalheiro, 52 anos, há 25 na profissão, dirige o trecho entre Porto Alegre e Chapecó (SC). “É gratificante. Eu faço com gosto e gosto do que eu faço”, afirma. Ele conta que o ônibus é abastecido apenas uma vez, já no Mato Grosso, e que hoje as estradas estão em boas condições até próximo de Santarém.
Entre histórias curiosas, Alceu lembra de um passageiro que embarcou no ônibus errado: “Ele desceu em uma parada e acabou subindo no veículo que estava voltando para a cidade dele”, conta rindo.
De acordo com Jonathan Fernandes, encarregado da agência da Ouro e Prata em Porto Alegre, cada ônibus tem 44 lugares, mas o número de passageiros atendidos por viagem pode chegar a 120, já que há embarques e desembarques em diferentes pontos da rota.
Os perfis dos viajantes são variados. O gaúcho Rafael Custódio, 27 anos, e sua companheira aproveitaram a viagem até Pato Branco (PR) para visitar a família. “É mais confortável e menos cansativo que ir de carro. Financeiramente, compensa”, explica.
O casal Sirlei (54) e Moisés (70) faz o percurso até Cuiabá (MT) uma vez por ano e elogia o serviço: “Os motoristas são atenciosos, o banheiro é limpo e tem água à vontade”, contam. Mesmo com o tempo curto em algumas paradas, eles afirmam que a viagem é tranquila. “Já estamos acostumados. Nada a reclamar”, completa Moisés.
Fonte: G1