O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará um pronunciamento à nação na noite de quinta-feira (16) para abordar informações de inteligência recém-desclassificadas relacionadas à eleição presidencial de 2020 e ao que a Casa Branca classifica como vulnerabilidades em urnas eletrônicas. A informação foi divulgada por uma autoridade do governo à agência Reuters.
Segundo a fonte, que falou sob condição de anonimato, Trump tratará de supostas falhas nas urnas eletrônicas que, na avaliação da Casa Branca, poderiam permitir ataques cibernéticos promovidos por governos estrangeiros.
No entanto, autoridades responsáveis pelas eleições nos Estados Unidos afirmam que as máquinas são seguras e que não existem evidências de invasões estrangeiras capazes de alterar os resultados de pleitos anteriores.
Ainda de acordo com a autoridade ouvida pela Reuters, o presidente também deverá apresentar informações de inteligência recentemente desclassificadas relacionadas à disputa eleitoral de 2020.
Durante o pronunciamento, que será transmitido pela televisão, Trump poderá voltar a sustentar, sem apresentar provas, que sua derrota para o democrata Joe Biden em 2020 ocorreu em razão de uma fraude eleitoral em larga escala.
Essa alegação já foi rejeitada por tribunais, auditorias eleitorais e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Trump, que concluíram não haver evidências de fraude ou manipulação das urnas eletrônicas.
Na ocasião, a Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura dos Estados Unidos classificou a eleição de 2020 como “a mais segura da história do país”.
Desde que retornou à Casa Branca, o governo Trump ampliou a supervisão federal sobre a administração das eleições e passou a defender mudanças no sistema eleitoral americano.
Especialistas em direito eleitoral afirmam que essas propostas podem reduzir a autonomia dos estados na condução das eleições, o que, segundo eles, poderia contrariar a Constituição dos Estados Unidos.
Às vésperas das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso, democratas e especialistas em segurança eleitoral manifestam preocupação com a possibilidade de interferência do governo no processo eleitoral.
Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, ao continuar afirmando que a eleição de 2020 foi ilegítima, Trump cria um ambiente que pode favorecer futuras contestações de derrotas republicanas e enfraquecer a legitimidade de eventuais vitórias do Partido Democrata.
Fonte: G1