Mundo Trump vê PCC e CV como ameaças regionais e preocupa governo Lula Redação11 de março de 202603 visualizações O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (10) que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) representam ameaças à segurança regional. A informação foi publicada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela BBC News Brasil. O anúncio ocorre após reportagem do portal UOL, no domingo (8), sobre a intenção do governo Trump de classificar as duas facções como organizações terroristas. “Os Estados Unidos veem as organizações criminosas brasileiras, inclusive o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional em função do seu envolvimento com o tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, diz a nota. O governo americano, contudo, não fez previsões sobre designações terroristas, afirmando estar “totalmente empenhado em tomar medidas adequadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas”. Diplomatas e integrantes do governo Lula ouvidos reservadamente pela BBC avaliam que a classificação não seria tecnicamente correta, pois não há indícios de que PCC e CV pratiquem terrorismo segundo a lei brasileira. Nos bastidores, há preocupação de que a designação possa justificar ações militares na região, à semelhança de bombardeios a barcos na Colômbia e Venezuela sob o pretexto de combate ao narcotráfico. O episódio ocorre em um momento delicado das relações bilaterais. Brasil e Estados Unidos negociam há dois meses um encontro entre Lula e Trump, que poderia ocorrer em 16 de março, segundo o presidente, mas sem confirmação oficial. O governo brasileiro argumenta que a atuação das facções é motivada por interesses econômicos e não políticos, e que, conforme a Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016), terrorismo envolve atos com fins políticos, ideológicos ou de ódio, o que não se aplica a PCC e CV. Parlamentares de direita, especialmente da base bolsonarista, defendem a equiparação das facções a organizações terroristas. Um projeto de lei que trata do tema tramita no Congresso, já aprovado na Comissão de Segurança Pública da Câmara, mas ainda precisa passar pelo Plenário da Câmara e do Senado antes de ser sancionado por Lula. Fonte: G1