O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych foi desclassificado das Olimpíadas de Inverno após decidir competir com um capacete estampado com imagens de pessoas mortas na guerra contra a Rússia. Após reunião com o Comitê Olímpico Internacional (COI), ele criticou duramente a decisão e afirmou que a medida foi “um erro terrível”.
Segundo Heraskevych, de 26 anos, o objetivo era homenagear amigos que morreram no conflito. Entre os retratados estavam o patinador artístico Dmytro Sharpar, morto há dois anos, e o biatleta Yevhen Malyshev, que morreu em março de 2022. O atleta afirmou ter comparecido a “muitos funerais” de jovens mortos na guerra.
“Estive em muitos funerais quando estive na Ucrânia e é uma tragédia verdadeiramente terrível que jovens tão novos tenham sido mortos em vão. Graças ao sacrifício deles, podemos estar aqui hoje, e quero homenageá-los e homenagear suas famílias”, declarou.
Antes da desclassificação, membros do COI sugeriram alternativas para que ele se manifestasse após a prova, mas não houve acordo dentro das regras da competição. Para o ucraniano, a decisão estaria alinhada à “propaganda russa” e não teria sido adequada. “Acredito que foi um erro terrível cometido pelo COI”, afirmou.
A presidente do COI, Kirsty Coventry, declarou após a reunião que a entidade não discorda da mensagem do atleta, mas que a manifestação violava a Carta Olímpica. Em resposta, Heraskevych classificou as regras como “discriminatórias”.
“Eu nunca quis um escândalo com o COI, e não fui eu quem o criou. O COI o criou com sua interpretação das regras, que muitos consideram discriminatória. Embora esse escândalo tenha possibilitado falar em voz alta sobre os atletas ucranianos que foram mortos, ao mesmo tempo o próprio fato do escândalo desvia uma enorme quantidade de atenção das competições em si e dos atletas que estão participando delas”, disse.
Entenda o caso
Porta-bandeira da Ucrânia na cerimônia de abertura, Heraskevych utilizou o capacete com as imagens durante um treinamento oficial na segunda-feira (10). Após a proibição, acusou o COI de “traição” nas redes sociais.
“Uma decisão que simplesmente parte meu coração. A sensação é de que o COI está traindo aqueles atletas que fizeram parte do Movimento Olímpico, não permitindo que sejam homenageados na arena esportiva onde nunca mais poderão pisar”, escreveu.
A Ucrânia apresentou recurso contra o veto, defendendo que o atleta pudesse usar o chamado “capacete da memória”. O pedido foi rejeitado sob a justificativa de violação das regras relativas à expressão política previstas na Carta Olímpica.
Na manhã de quinta-feira, antes da prova, Heraskevych afirmou que competiria com o capacete mesmo assim. Após reunião com o COI, foi oficializada a desclassificação por descumprimento das Diretrizes sobre Expressão dos Atletas.
“Fui desclassificado da prova. Certamente não encontramos um ponto em comum nesse assunto. Acredito que eles merecem esse momento. Certamente eu não terei meu momento nestes Jogos Olímpicos, apesar de eu dizer que tive resultados muito bons nos treinos. Eu realmente acredito que poderíamos estar entre os medalhistas hoje e amanhã, mas não poderemos competir”, afirmou.
Fonte: GE