Pessoas que receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan há mais de 21 dias podem ficar tranquilas quanto à proteção oferecida pelo imunizante. A afirmação foi feita pelo diretor do instituto, Esper Kallás, após a suspensão temporária da aplicação da vacina determinada pelo Ministério da Saúde.
Segundo Kallás, quem já foi vacinado pode contar com a eficácia observada nos estudos clínicos, que apontaram proteção de 65% contra a infecção por até cinco anos e de 80% contra formas graves da doença. Ele destacou que, após o período de 21 dias da aplicação, os benefícios da imunização superam as preocupações relacionadas aos casos sob investigação.
A suspensão ocorreu após o sistema de farmacovigilância registrar 42 eventos adversos graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas até 30 de maio, sendo 417 mil profissionais de saúde. Entre os casos, três foram considerados graves e dois evoluíram para óbito, ambos ainda investigados pelas autoridades sanitárias. Até o momento, segundo o Ministério da Saúde, não há comprovação de relação direta entre a vacina e as mortes.
Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, equivalentes a 0,7% dos vacinados. Os 42 casos com sinais de alarme representaram 0,008% do total e incluíram sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Os episódios foram classificados como muito raros e não haviam sido identificados nos estudos clínicos nem descritos na bula.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas há menos de 21 dias observem sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral, comunicando imediatamente as autoridades de saúde em caso de reação.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única contra a dengue e também a primeira totalmente brasileira. Antes da aprovação, o imunizante foi testado em 16 mil participantes acompanhados durante cinco anos, com resultados publicados na revista científica Nature.
Enquanto Anvisa, Ministério da Saúde e Instituto Butantan aprofundam as investigações epidemiológicas, a aplicação da vacina permanece suspensa de forma preventiva. As autoridades reforçam que a medida não invalida os resultados de eficácia já demonstrados e que a continuidade da vacinação dependerá das evidências científicas obtidas nas análises em andamento.
Fonte: G1