Vorcaro bancou mais de 90% de filme sobre Bolsonaro e prisão abalou produção

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi responsável por mais de 90% dos recursos utilizados no filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi confirmada pela produtora Karina Ferreira da Gama, dona da GoUp, em entrevista exclusiva à GloboNews e à TV Globo.

Segundo Karina, o orçamento já executado do longa está em cerca de US$ 13 milhões. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, já havia admitido que Vorcaro aportou pouco mais de US$ 12 milhões no projeto, valor que representa aproximadamente 92% do custo atual da produção.

A produtora afirmou que o filme está em fase de pós-produção, com trabalhos de efeitos especiais e sonorização, e ainda necessita de recursos, embora em menor escala.

Karina relatou que a prisão de Vorcaro provocou uma corrida em busca de novos apoiadores financeiros para evitar a paralisação das filmagens.

“Quando ele foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, eu já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas”, afirmou.

Segundo ela, integrantes da equipe passaram a buscar apoio junto à iniciativa privada para manter o projeto em andamento. A última gravação de “Dark Horse” ocorreu em 8 de dezembro de 2025, 21 dias após a primeira prisão do banqueiro.

Karina também afirmou que Vorcaro atuava como intermediador dos recursos, e não como investidor direto. De acordo com a produtora, Flávio Bolsonaro procurou o banqueiro em 2024, quando ainda não havia acusações públicas contra ele.

Em declarações anteriores, no entanto, Flávio citou Vorcaro como investidor e patrocinador do filme.

A produtora disse ainda que a GoUp não recebeu dinheiro diretamente de Vorcaro nem de empresas ligadas ao banqueiro. Segundo Karina, os valores chegaram à produtora por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Apesar disso, investigações da Polícia Federal apontam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, seria a origem dos recursos utilizados no longa.

Karina também revelou que outra empresa dela, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas PIX para produzir a série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, sobre figuras históricas como José de Anchieta e Dom Pedro I.

As emendas foram destinadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS), com R$ 1 milhão; Bia Kicis (PL-DF), R$ 150 mil; Alexandre Ramagem (PL-RJ), R$ 500 mil; e Carla Zambelli (PL-SP), R$ 750 mil.

Segundo Karina, o projeto não avançou após o bloqueio da emenda enviada por Carla Zambelli. A decisão foi tomada pelo ministro Flávio Dino, do STF, por descumprimento de requisitos estabelecidos para emendas PIX. De acordo com a produtora, o bloqueio inviabilizou a série.

Fonte: G1

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