Pacientes com diabetes em São Paulo enfrentam dificuldades diante da escassez de canetas aplicadoras de insulina nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Segundo o Ministério da Saúde, o problema ocorre porque a indústria farmacêutica tem priorizado a produção de canetas usadas em medicamentos para emagrecimento, de alta demanda e maior lucratividade no mercado.
Embora a insulina continue disponível, os aplicadores — que oferecem mais precisão e praticidade — estão em falta. Como alternativa, a Secretaria Municipal de Saúde tem distribuído frascos de doses múltiplas e seringas, um método mais doloroso e de uso complexo.
Pacientes relatam dificuldades. “Sempre que vou ao posto, eles avisam que não tem”, disse Maria Helena dos Santos, aposentada. Outros moradores afirmam que chegam a organizar “mutirões” para tentar encontrar os dispositivos em diferentes unidades.
Segundo especialistas, a substituição compromete o tratamento. “A caneta tem uma precisão maior, cada clique equivale a uma unidade. Na seringa, muitas vezes só conseguimos aplicar de duas em duas unidades”, explicou João Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Em nota, o Ministério da Saúde reconheceu a escassez e atribuiu o problema a uma mudança global de mercado, mas não informou prazo para a normalização do fornecimento.
Fonte: G1