Após suspeita de pelo encravado, homem descobre câncer de mama aos 38 anos: “A coisa mais estranha”

por Redação

O músico Rodrigo Fassina, 43 anos, descobriu há quatro anos que o que parecia ser um simples pelo encravado era, na verdade, um câncer de mama — um tipo de tumor raro em homens, que representa menos de 1% dos casos da doença.

O diagnóstico veio após notar dois nódulos na mama direita, retração do mamilo e uma sensação de “bolinha” que se movia, mas sempre voltava para o mesmo ponto. A primeira hipótese médica foi de uma infecção de pele. “O médico achou que era um pelo encravado, mas quando outro profissional apalpou, percebeu que era um nódulo, pela textura e formato”, relembra Fassina.

Encaminhado para uma mastologista, o músico passou por mamografia e exames complementares que confirmaram o tumor. A quimioterapia teve início em junho de 2021 e surtiu efeito rapidamente: “Na primeira sessão, o tumor reduziu 2 cm. Na quarta, já não tinha mais nada”, conta.

Mesmo com boa resposta, Fassina precisou realizar mastectomia bilateral, cirurgia que removeu as duas mamas. O procedimento foi indicado porque o câncer tinha origem genética, herdado do lado paterno — seu pai teve câncer de próstata, a tia e a avó, de mama.

“Se eu não tivesse câncer de mama, teria o de próstata. Era algo de família”, diz.

Atualmente, ele faz acompanhamento semestral e deve ser considerado curado no próximo ano, ao completar cinco anos da cirurgia.

Fassina transformou a dor em propósito: atua como voluntário no A.C. Camargo Cancer Center, ajudando pacientes e reforçando a importância do acolhimento psicológico e das terapias complementares. “Tem que cuidar da mente também. Faço parte do conselho de pacientes e insisto sempre nisso”, afirma.

O oncologista Pedro Exman, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que, embora raro, o câncer de mama em homens exige atenção.

“Os principais sinais são nódulos na mama, dor, retração do mamilo e pele avermelhada. Em geral, há ligação com fatores genéticos herdados de geração em geração”, esclarece.

Entre as referências masculinas conhecidas que enfrentaram a doença está Mathew Knowles, pai da cantora Beyoncé.

Fassina, hoje com a saúde restabelecida, voltou aos palcos. Uma de suas apresentações mais marcantes aconteceu ao fim do tratamento, no próprio centro oncológico, em um tributo ao Queen — como forma de gratidão à equipe médica.

Fonte: GQ

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