O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira (23) que o país possui 5 mil mísseis antiaéreos portáteis de fabricação russa, do modelo Igla-S, posicionados em pontos estratégicos do território nacional. Segundo o mandatário, o armamento seria usado para defender a nação diante do que ele classificou como “ameaça militar” dos Estados Unidos.
Em um discurso transmitido pela TV estatal e acompanhado por integrantes do alto comando militar, Maduro disse:
“Qualquer força militar no mundo conhece o poder do Igla-S, e a Venezuela tem nada menos que 5 mil em posições-chave de defesa antiaérea para garantir a paz.”
O Igla-S é um sistema de defesa aérea portátil projetado para abater aeronaves em baixa altitude. O equipamento já foi utilizado em exercícios militares promovidos por Maduro em resposta à crescente mobilização norte-americana no Caribe.
Nos últimos meses, os Estados Unidos enviaram contratorpedeiros, um submarino e embarcações de forças especiais para a região, alegando combate a “narcoterroristas venezuelanos”. Desde o início de setembro, uma série de ataques navais e aéreos contra embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas deixou ao menos 34 mortos, segundo o Pentágono.
Nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que novas ações estão em andamento:
“Vamos atacá-los com muita força quando chegarem em solo; eles ainda não passaram por isso.”
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou que o país realizou o oitavo ataque desde o início das operações, desta vez no Pacífico.
Maduro, por sua vez, classificou as ações como “um cerco” e “uma tentativa de derrubá-lo”, associando-as a uma estratégia mais ampla que incluiria operações da CIA em território venezuelano, já autorizadas por Trump.
Para o governo venezuelano, a presença militar dos EUA e as declarações de Trump indicam que o verdadeiro objetivo de Washington é remover Maduro do poder, sob o pretexto de combater o narcotráfico na América do Sul.
Fonte: OGLOBO