O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (27) que as sanções aplicadas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras serão tratadas diretamente entre ele e o presidente norte-americano, Donald Trump. A declaração reforça a intenção de separar as questões políticas das econômicas nas negociações bilaterais.
“Inclusive a questão da legislação da punição aos nossos ministros é uma questão política que vai ser resolvida entre o Trump e eu”, disse o presidente ao ser questionado sobre o andamento das tratativas entre os dois países.
Segundo Lula, a equipe de negociadores, chefiada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), viajará a Washington na próxima semana para discutir exclusivamente as tarifas impostas a produtos brasileiros.
As sanções norte-americanas foram aplicadas com base na chamada Lei Magnitsky, que permite punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos. Entre os alvos estão o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e sua esposa, Viviane de Moraes, além de outros integrantes do Judiciário e do governo brasileiro. Eles tiveram seus vistos suspensos e bens bloqueados.
A medida foi adotada após o julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. À época, Trump declarou que Bolsonaro era “vítima de uma caça às bruxas”.
As declarações de Lula ocorreram após seu primeiro encontro oficial com Trump, no último domingo (26), durante uma viagem à Malásia. A reunião marcou uma nova etapa das negociações comerciais entre os dois países.
De acordo com o chanceler Mauro Vieira, o encontro foi “positivo” e Lula reiterou o pedido de suspensão temporária das tarifas enquanto as negociações prosseguem.
Fonte: G1