O avanço das dunas de areia na praia de Maristela, em Xangri-Lá (RS), tem causado dificuldades de acesso e gerado preocupação entre veranistas com a proximidade da temporada de verão. Mesmo após limpezas, a passarela que liga a calçada à faixa de areia voltou a ser tomada pelas dunas.
“Frequentando nossa praia há quase 15 anos, nunca tínhamos visto situação parecida”, relata Gabriel Cardoso, assessor de investimentos. A situação não é exclusiva de Maristela; outras localidades do Litoral Norte, como a Barra de Tramandaí, também enfrentam o avanço das dunas, levando as prefeituras a buscar autorização para obras de contenção.
Especialistas explicam que, sem vegetação para fixar a areia, o vento nordeste continua empurrando as dunas para o interior, dificultando o acesso e afetando moradores e turistas. Segundo Eduardo Jardim, secretário de Turismo, Esporte e Lazer de Xangri-Lá, a cidade conta com mais de 70 passarelas e a constante remoção da areia é necessária para manter os acessos livres.
“Temos um plano de manejo de dunas com cobertura morta, como cascas de árvores, e cercas de contenção, que muitas vezes não são suficientes”, afirma Jardim. Ele ressalta que as dunas são a principal barreira natural contra a erosão, e o desafio é conter o avanço da areia sem comprometer essa proteção.
O oceanógrafo Felipe Caron, que acompanha a região desde 2018, defende um plano de manejo adequado, construído junto aos órgãos reguladores, como prefeitura e Fepam.
O que diz a Fepam
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) lembra que as dunas são Áreas de Preservação Permanente (APP). Qualquer intervenção, como instalação de barreiras ou remoção de areia, deve ser incluída no Plano de Manejo de Dunas e submetida à análise técnica da Fundação. A responsabilidade pela gestão e ordenamento do território é do município, cabendo à Fepam avaliar a viabilidade ambiental e legal de cada ação.
Fonte: G1