A Polícia Federal e a Polícia Civil de Roraima reuniram evidências que apontam o envolvimento de Evelyn Lorrany Nogueira de Lima, conhecida como Porcelana, e do então namorado, Thiago Lima dos Santos, o “TH da Zona Leste”, em atividades do Comando Vermelho (CV). Entre os materiais apreendidos estão comprovantes de depósitos bancários, contratos de locação de veículos, drogas e armas de fogo.
Porcelana ganhou notoriedade nacional ao lamentar nas redes sociais a morte de um colega de facção durante uma megaoperação no Rio de Janeiro, Francisco Myller Moreira da Cunha, conhecido como “Gringo” ou “Suíça”. Na época, ela mantinha relacionamento com TH, um dos líderes do CV no Amazonas, que foi assassinado com 38 tiros em julho deste ano.
Investigação por apoio à fuga de presos
A Polícia Civil de Roraima informou que Evelyn é investigada por dar suporte logístico à fuga de quatro detentos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em setembro de 2024. O ex-namorado TH também teria participado do financiamento da ação antes de ser morto. Durante a Operação Cerco Fechado, deflagrada em 29 de outubro, foram cumpridos mandados de busca domiciliar em seis endereços ligados a Porcelana, mas ela não foi localizada, pois havia viajado ao Rio de Janeiro.
Condenação por tráfico e posse de armas
No processo que resultou na condenação do casal, a Polícia Federal apontou os seguintes elementos:
1,7 kg de cocaína e 32 g de maconha
Duas armas de fogo e 45 munições calibre 9 mm
47 comprovantes de depósitos bancários, incluindo transferências para presos ligados ao CV, como um depósito de R$ 5 mil a um detento em Boa Vista
Contratos de aluguel de carros em nome próprio e de terceiros, utilizados em ações da facção entre Roraima e Amazonas
O casal foi condenado a 5 anos de detenção em regime semiaberto, pelos crimes de tráfico de drogas e posse/porte ilegal de armas, em processo movido pelo Ministério Público de Roraima. A Vara de Entorpecentes e Organização Criminosa de Boa Vista conduziu o caso. A defesa solicitou que Porcelana cumprisse a pena em Manaus, onde residiam suas filhas, pedido aceito pela Justiça, e ela passou a utilizar tornozeleira eletrônica.
No entanto, durante a operação da Polícia Civil, ela não estava em casa. Ainda não há informações oficiais sobre autorização judicial para a viagem ou descumprimento do regime semiaberto. O Tribunal de Justiça de Roraima informou que o processo encontra-se arquivado no estado, enquanto o TJ do Amazonas afirmou não haver decisão autorizando sua saída de Manaus nem registro de descumprimento por parte da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
Fonte: G1