Assassino confesso de gari em BH afirma ter pegado arma da mulher delegada por medo de ex-sócia ligada ao crime

por Redação

O empresário Renê Nogueira Júnior, que confessou ter efetuado o disparo que matou o gari Laudemir de Souza Fernandes durante uma discussão de trânsito em Belo Horizonte, apresentou sua versão dos fatos em audiência realizada nesta semana pela Justiça de Minas Gerais. Segundo ele, o motivo para ter saído armado no dia 11 de agosto teria sido o medo de uma ex-sócia que, segundo o próprio réu, alegava ter ligações com o jogo do bicho.

Renê afirmou que pegou a arma da mulher, a delegada Ana Paula Balbino, enquanto ela tomava banho, sem seu conhecimento. Ele disse que havia registrado boletim de ocorrência contra a ex-sócia após ameaças e que temia passar pela cidade onde ela morava a caminho do trabalho. O empresário é réu por homicídio triplamente qualificado, ameaça e fraude processual.

A vítima, Laudemir, foi atingida após uma suposta briga de trânsito. Testemunhas relataram que Renê se irritou porque o caminhão de coleta de lixo bloqueava parcialmente a via, ameaçando a motorista antes de atirar contra os trabalhadores. Ele foi preso poucas horas depois, em uma academia de alto padrão da capital mineira.

Durante a audiência, realizada por videoconferência, o empresário negou ter agido por irritação com o trânsito e afirmou nunca ter se envolvido em conflitos semelhantes. Testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas no 1º Tribunal do Júri Sumariante. A decisão sobre o envio do caso ao Tribunal do Júri será tomada pela Justiça após a etapa de instrução.

Segundo o advogado da família da vítima, Tiago Lenoir, as oitivas reforçam um conjunto de provas “sólido e coerente” que deve levar Renê a julgamento popular. O Ministério Público solicita também que, em caso de condenação, o empresário pague ao menos R$ 150 mil à família do gari.

A delegada Ana Paula Balbino, esposa de Renê, foi indiciada por prevaricação e posse ilegal de arma, já que a pistola usada no crime estava registrada em seu nome. Ela não foi denunciada porque o Ministério Público considerou possível a negociação de um Acordo de Não Persecução Penal.

Mensagens analisadas pela polícia indicam que Renê orientou a esposa a entregar outra arma, na tentativa de ocultar o armamento verdadeiro — uma pistola calibre .360 — posteriormente identificada pela perícia. Investigadores apontam ainda que o empresário exibia armas e o distintivo da delegada em vídeos e demonstrava fascínio por armamentos e pela função da companheira.

Fonte: OGLOBO

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