Site que vende encontros inspirados em doramas entra na mira do Consulado da Coreia do Sul por suspeita de exploração sexual

por Redação

O site Kdramadate, que promete encontros românticos “iguais aos doramas” com homens asiáticos em São Paulo, passou a ser investigado pelo Consulado Geral da República da Coreia do Sul e pela Associação Brasileira dos Coreanos. A plataforma, no ar há pelo menos dois meses, oferece passeios temáticos, sessões de fotos e interações supostamente semelhantes às vistas em produções sul-coreanas.

As entidades demonstram preocupação com a exploração de referências culturais coreanas e com a tentativa do responsável pelo site, Rikito Morikawa, de recrutar jovens coreanos para trabalharem no projeto. Depoimentos recebidos pelo consulado apontam que a proposta envolvia encontros íntimos, o que configura crime de exploração sexual.

Nascido em Hiroshima, no Japão, Rikito, de 23 anos, não respondeu aos contatos feitos pelo g1 e pela TV Globo. Seu advogado afirmou não ter notícias do cliente desde que ele disse que retornaria ao Japão e relatou “trabalhar como namorado de aluguel”. Segundo o defensor, não há informações sobre convites feitos a jovens coreanos.

Consulado e Associação dos Coreanos iniciam apurações

O consulado divulgou dois comunicados. O primeiro, em 23 de outubro, pedia que possíveis vítimas de estelionato se manifestassem. O segundo, em 31 de outubro, afirmou que o caso não era golpe financeiro, mas sim relacionado à exploração sexual, após coleta de provas e depoimentos.

Bruno Kim, presidente da Associação Brasileira dos Coreanos, afirma que a denúncia surgiu da própria comunidade de fãs de cultura coreana. Ele e o advogado do consulado, Rafael Kang, foram ao endereço indicado pelo Kdramadate e descobriram que o local era, na verdade, o Centro Cultural de Hiroshima, usado de forma indevida pela página.

O centro enviou notificação extrajudicial, levando Rikito a alterar o endereço informado no site, agora registrado como sendo na Vila Carrão, Zona Leste de São Paulo.

Segundo Kang, ao menos dez jovens coreanos foram convidados para integrar o projeto, incluindo ofertas de encontros íntimos em motéis por valores em torno de R$ 700. A abordagem ocorreu por Instagram, WhatsApp e por ligações telefônicas.

Prostituição x exploração sexual

De acordo com a delegada Nadia Aluz, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher, a prostituição é legal no Brasil quando exercida por adultos. Já a exploração sexual ocorre quando há comercialização do serviço de outra pessoa — prática considerada crime.

Nem a Polícia Civil nem o Ministério Público registram, até o momento, denúncias formais contra o Kdramadate.

Quem é Rikito Morikawa

Nas redes sociais, Rikito se apresenta como “modelo internacional” e “oppa apaixonado pelo Brasil”. Já no Kdramadate, afirma transportar “a magia dos doramas para a vida real”.

Em setembro, o Diário Oficial da União publicou o cancelamento de sua autorização de residência no Brasil, sob justificativa de que o motivo original para sua permanência havia deixado de existir.

Debate sobre fetichização e cultura pop

A pesquisadora Daniela Mazur, especialista em cultura coreana, afirma que o caso expõe a comercialização de estereótipos e a fetichização de homens asiáticos impulsionada pela popularidade dos K-dramas e do K-pop no Brasil. Para ela, o site transforma identidades asiáticas em produto baseado em fantasias construídas por obras de ficção.

Fonte: G1

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