Caos em São Paulo: ventos de quase 100 km/h deixam 1/4 da cidade sem luz, afetam abastecimento de água e cancelam mais de 100 voos

por Redação

Um dia após enfrentar a soma de greve de rodoviários e forte temporal, São Paulo voltou a viver momentos de grande tensão nesta quarta-feira (10). Um vendaval, provocado pelo mesmo sistema climático da véspera, derrubou árvores, fechou parques, interrompeu serviços essenciais e deixou cerca de 2,26 milhões de imóveis da Região Metropolitana sem energia — número que representa 26% dos clientes atendidos pela Enel. Na capital, 1,5 milhão de endereços ficaram às escuras, e muitos ainda não tinham o fornecimento restabelecido até o fim da noite.

A falta de luz provocou um efeito dominó. Segundo a Sabesp, dezenas de bairros enfrentaram interrupção no abastecimento de água devido ao bloqueio no bombeamento. Hospitais também foram afetados: o Hospital São Paulo, na Vila Clementino, ficou mais de 14 horas sem energia, operando em condições críticas. A situação coincidiu com um elevado número de ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros — 1.327 chamados por quedas de árvores, além de 19 deslizamentos e desmoronamentos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou oficialmente a Enel, cobrando explicações e alertando que a reincidência de falhas pode levar à caducidade da concessão. Para o órgão regulador, a empresa deveria estar preparada, já que meteorologistas e a Defesa Civil alertavam para a formação do ciclone extratropical desde o fim de semana. A Enel atribui o blecaute a falhas localizadas decorrentes da queda de árvores e danos a postes.

O impacto também atingiu aeroportos. Guarulhos e Congonhas cancelaram mais de cem voos, deixando passageiros em longas filas e sem informações. Linhas de trem foram prejudicadas, como a 10-Turquesa da CPTM, que teve paralisações após queda de cabo em Mauá. Até a decoração natalina sofreu estragos: um Papai Noel inflável tombou na Avenida Paulista com a força dos ventos.

A prefeitura fechou todos os parques municipais, e o governo estadual suspendeu as atividades em 12 unidades. A região da Serra da Mantiqueira também registrou ocorrências graves: em Campos do Jordão, um homem foi encontrado sem vida após o desabamento de uma casa durante um deslizamento.

Apesar da destruição, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) prevê alívio para esta quinta-feira, com ventos menos intensos e gradual elevação das temperaturas, já que o ciclone deve se deslocar para alto-mar. No entanto, até sua dissipação, ainda provocou estragos no Rio de Janeiro e no Sul do país — onde, em Santa Catarina, uma família perdeu a vida após ser arrastada pela enxurrada.

Fonte: OGLOBO

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