A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (15) a Operação Narco Fluxo, que mira uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão. A ação teve como alvos nomes do funk e do ambiente digital, como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e os influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa, da página Choquei.
O balanço da operação impressiona pelo volume de bens apreendidos: 55 veículos de luxo e motocicletas avaliados em mais de R$ 20 milhões, 120 armas e munições, além de joias, relógios de alto valor, 53 celulares, 56 dispositivos eletrônicos e cerca de R$ 300 mil em dinheiro vivo, além de US$ 7,3 mil. Também foram recolhidos documentos e registros financeiros considerados estratégicos para a investigação.
Entre os itens que chamaram atenção estão uma Mercedes-Benz G63 rosa avaliada em R$ 2 milhões e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren, localizadas na mansão de Chrys Dias. Já na casa de MC Ryan SP, os agentes encontraram um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar.
A operação mobilizou cerca de 200 policiais federais para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. A Justiça Federal de Santos determinou o bloqueio de bens e ativos dos investigados para evitar movimentações suspeitas durante o processo.
Segundo a PF, o grupo utilizava o setor artístico e o entretenimento digital como fachada para ocultar recursos oriundos do tráfico internacional de drogas — incluindo mais de três toneladas de cocaína — além de apostas ilegais e rifas clandestinas. Entre os mecanismos usados estavam transferências fracionadas (smurfing), empresas de fachada, uso de “laranjas” e conversão em criptoativos.
As investigações também apontam o uso de influenciadores com grande alcance para movimentar valores sem levantar suspeitas. Após a operação, perfis de alguns investigados, com milhões de seguidores, foram retirados do ar. A Meta não comentou.
As defesas dos envolvidos negam irregularidades. Advogados de MC Ryan SP afirmam que os recursos do artista têm origem lícita, enquanto a defesa de MC Poze diz que ainda não teve acesso aos autos. Já Raphael Sousa sustenta que sua relação com os investigados era apenas comercial. A defesa de Chrys Dias não foi localizada.
Fonte: G1