Acordo Mercosul-UE entra em fase decisiva após 25 anos de negociações

por Redação

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia chega, a partir desta quinta-feira (17), ao momento mais decisivo desde o entendimento político firmado em dezembro do ano passado, após um histórico de 25 anos de negociações. Os governos dos países europeus se reúnem no Conselho Europeu para decidir se aprovam ou barram o texto do tratado.

Caso haja aval, a assinatura do acordo está prevista para sábado (20), em Foz do Iguaçu, durante a cúpula de chefes de Estado do Mercosul. A votação pode definir se o tratado será finalmente ratificado ou se enfrentará novo bloqueio, em um cenário marcado por resistências políticas dentro do bloco europeu.

Um avanço importante ocorreu nesta semana, quando o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas agrícolas que passaram a integrar o texto do acordo. As medidas foram consideradas estratégicas para destravar o processo político, mas não eliminaram a oposição de países como a França, que lidera um grupo contrário ao tratado.

Apesar da expectativa em torno da assinatura formal, o acordo foi firmado politicamente em 2019, sem efeitos práticos imediatos. Desde então, passou por revisões profundas, especialmente pela inclusão de exigências ambientais e de sustentabilidade, o que contribuiu para um intervalo de cerca de seis anos entre a assinatura política e a atual fase de deliberação.

Especialistas apontam que, além da complexidade técnica, fatores políticos internos na União Europeia e mudanças de posicionamento dos países do Mercosul ajudaram a atrasar o avanço do tratado. A incorporação de agendas como a dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e compromissos climáticos ampliou o alcance do acordo, mas também elevou seu grau de controvérsia.

No campo prático, o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas que permitem à UE suspender tarifas reduzidas a produtos agrícolas do Mercosul diante de riscos ao mercado interno. As novas regras flexibilizam critérios para acionamento dessas barreiras, atendendo principalmente a pressões de produtores europeus, sobretudo franceses.

O texto agora depende da aprovação do Conselho Europeu, que exige maioria qualificada: pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população do bloco. França e Polônia mantêm oposição aberta, enquanto Itália surge como peça-chave para definir o desfecho da votação.

Além do agronegócio, o acordo envolve setores como indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual. Países como Alemanha, Espanha e Portugal defendem a ratificação, enxergando ganhos econômicos e estratégicos diante da crescente disputa geopolítica global.

Para o Brasil, o tratado representa a ampliação do acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e reforça sua inserção internacional. No entanto, especialistas alertam para desafios, especialmente na adaptação da indústria nacional e no cumprimento das exigências ambientais, que seguem como um dos principais pontos de tensão do acordo.

Fonte: G1

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