O deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) destinou quase R$ 1,2 milhão em emendas impositivas a um órgão do governo do Rio de Janeiro chefiado por sua esposa. O parlamentar direcionou R$ 1.167.889 para a subsecretaria de Gestão Portuária e Atividades Navais, vinculada à Casa Civil, comandada desde setembro por Patricia Seabra.
Além das emendas, Knoploch também apresentou projetos de lei que beneficiam diretamente órgãos estaduais onde atuam parentes próximos. Membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado ocupa um dos espaços mais estratégicos do Parlamento fluminense, já que todos os projetos precisam passar pelo colegiado antes de ir a plenário.
Patricia Seabra foi nomeada subsecretária adjunta em 3 de setembro, mesma data em que a estrutura da subsecretaria foi oficialmente criada. O cargo tem remuneração líquida de R$ 13,3 mil. Segundo o governo do estado, o órgão é responsável pela implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento marítimo e portuário, com foco na chamada economia do mar.
Na justificativa das emendas para 2026, Knoploch afirma que os recursos serão usados para fortalecer a capacidade técnica da subsecretaria, financiar estudos e projetos na área portuária e ampliar ações de publicidade institucional. Segundo ele, o objetivo é dar base técnica ao planejamento do setor e estimular geração de empregos e desenvolvimento sustentável.
O deputado também apresentou um projeto de lei complementar que cria a Taxa de Gestão Naval e Portuária (TGNP), a ser cobrada de embarcações comerciais de grande porte, além de barcos de passeio e transporte que utilizem águas sob jurisdição estadual. A taxa poderia chegar a R$ 475 mil por ano para grandes navios. O texto não traz justificativa formal para a criação do tributo.
Outro projeto protocolado por Knoploch atribui à subsecretaria onde sua esposa atua a fiscalização de resíduos sólidos gerados por embarcações que atracam no estado, ampliando as atribuições do órgão.
O parlamentar também elaborou propostas que beneficiam o Instituto Rio Metrópole (IRM), onde seu pai, Maurício Knoploch, ocupa cargos de direção. Um dos projetos cria um fundo estadual vinculado ao IRM, abastecido com recursos provenientes da venda de imóveis do governo fluminense.
Maurício Knoploch atua no IRM desde a criação do órgão, em 2020, e recebe salário mensal de R$ 12,5 mil. Segundo o governo, ele é servidor estadual desde 2019 e ocupa os cargos por decisão do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana.
Procurado, o governo do Rio afirmou que Patricia Seabra e Maurício Knoploch ocupam funções técnicas e possuem experiência comprovada. O deputado também defendeu as nomeações, alegando mérito profissional dos familiares e afirmando que as emendas seguem critérios técnicos e legais.
Fonte: OGLOBO