O governo federal oficializou o reajuste do salário mínimo nacional para R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026, conforme Decreto nº 12.797, publicado no Diário Oficial da União e assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo valor representa um aumento de R$ 103 em relação ao piso atual de R$ 1.518.
Quem recebe um salário mínimo — ou múltiplos dele —, além de benefícios vinculados ao piso, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o seguro-desemprego, passará a receber o valor reajustado já no início de fevereiro de 2026.
O reajuste combina a reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro, de 4,18%, com ganho real limitado a 2,5%, conforme a regra aprovada pelo Congresso no arcabouço fiscal. A política de valorização do salário mínimo retoma aumentos acima da inflação, após anos em que o reajuste seguia apenas a correção inflacionária.
Segundo o Dieese, o salário mínimo serve de referência para cerca de 59,9 milhões de pessoas no país, incluindo trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais. O aumento tem impacto direto na renda e no consumo das famílias, além de efeitos indiretos sobre o mercado de trabalho e o poder de compra.
Por outro lado, o reajuste também eleva as despesas públicas. De acordo com estimativas do governo, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera um acréscimo aproximado de R$ 420 milhões no orçamento anual. Com o reajuste de R$ 103 previsto para 2026, o impacto projetado chega a cerca de R$ 43,2 bilhões em gastos obrigatórios.
O governo afirma que monitora os efeitos do reajuste sobre as contas públicas e que o limite de 2,5% para o ganho real tem o objetivo de preservar o equilíbrio fiscal, ao mesmo tempo em que busca ampliar o poder de compra da população de menor renda.
Especialistas destacam que o aumento do salário mínimo influencia o valor médio dos salários no país, fortalece o consumo interno e pode estimular a economia, embora também pressione o orçamento federal e reduza a margem para despesas discricionárias, como investimentos e programas de governo.
Fonte: G1