Pouco antes de ser assassinada a facadas dentro de uma faculdade particular em Porto Velho, a professora Juliana Santiago realizou uma dinâmica em sala de aula, distribuiu chocolates e entregou bilhetes motivacionais aos alunos do curso de Direito. A atividade ocorreu durante uma aula cujo tema era “prisões no Brasil”.
Segundo relato do estudante Marisson Dourado ao g1, a professora havia enviado um e-mail à turma antes do início da aula, dando boas-vindas ao começo do 5º período e convidando os universitários para participar de um quiz com perguntas jurídicas, que teria premiação.
“Hoje teremos assunto novo, alinhado com bate-papo descontraído e um jogo de perguntas e respostas, com premiação. Aqueles que acertarem nossa pergunta do quiz jurídico terá uma noite mais doce”, escreveu Juliana na mensagem enviada aos alunos.
Além dos chocolates, a professora entregou um bilhete com um versículo bíblico. A mensagem dizia: “O que é nascido de Deus vence o mundo”. Uma aluna chegou a publicar a imagem do bilhete nas redes sociais.
De acordo com Marisson, entre os alunos que acertaram as perguntas do quiz estava João Cândido da Costa Junior, de 24 anos, apontado pela polícia como autor do crime. Segundo ele, o estudante recebeu o chocolate, abraçou a professora e permaneceu na sala após o término da aula.
O aluno relatou ainda que Juliana demonstrava entusiasmo com o início do semestre e prometeu tornar a disciplina de Direito Processual Penal a melhor da semana, mesmo sendo ministrada às sextas-feiras. Ele destacou a fé da professora e a forma como ela buscava motivar os estudantes.
Juliana Santiago, de 41 anos, foi atacada a facadas na noite de sexta-feira (6), dentro de uma sala de aula do Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca). Testemunhas afirmaram que o crime aconteceu após o fim da aula, quando o aluno aguardou a professora ficar sozinha e iniciou uma discussão antes do ataque.
A professora foi atingida nos dois seios e sofreu uma laceração no braço. Ela chegou a ser socorrida por alunos e levada ao Hospital João Paulo II, mas morreu antes de receber atendimento médico.
Após o crime, o suspeito tentou fugir, mas foi contido por um aluno que é policial militar. Em depoimento, ele afirmou ter mantido um relacionamento com a professora por cerca de três meses e disse que cometeu o crime por vingança, após saber que ela teria retomado o relacionamento com o ex-marido. A versão não foi confirmada pela família nem pelas autoridades.
Ainda segundo o depoimento, a faca usada no crime teria sido entregue pela própria professora um dia antes do ataque, dentro de uma vasilha com um doce de amendoim. A informação também não foi confirmada oficialmente.
O caso é investigado como feminicídio. A faculdade suspendeu as aulas por três dias e emitiu nota de pesar. O corpo de Juliana foi liberado pelo Instituto Médico Legal no sábado (7) e transladado para Salvador, onde ocorrerá o velório, ainda sem data e local divulgados.
Juliana era escrivã da Polícia Civil e professora de Direito Penal. Alunos a descrevem como uma profissional acolhedora, otimista e dedicada, conhecida por adotar métodos didáticos inovadores para tornar as aulas mais dinâmicas.
Fonte: G1