Toffoli exige envio integral de dados de celulares apreendidos no caso Master ao STF

por Redação

O ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (12) que a Polícia Federal (PF) encaminhe à Corte os dados completos de todos os celulares apreendidos e periciados no âmbito da investigação.

A decisão foi tomada após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório referente à perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Master.

De acordo com as investigações, o nome de Toffoli aparece em mensagens encontradas no aparelho. O teor das conversas não foi divulgado.

Na determinação, Toffoli ordena que a PF envie, na íntegra, o conteúdo de todos os dispositivos e mídias apreendidos, bem como os laudos periciais, incluindo dados telemáticos, informáticos e telefônicos.

Entre pessoas próximas à apuração, a medida foi interpretada como uma reação firme após o envio do relatório a Fachin, descrita como uma forma de “dobrar a aposta”.

As menções ao ministro encontradas no celular de Vorcaro intensificaram a pressão para que ele se declare impedido de seguir como relator do caso. O relator é o magistrado responsável pela condução do processo no tribunal.

Na quarta-feira (11), Toffoli divulgou nota afirmando ser alvo de “ilações” e sustentou que não cabe à Polícia Federal apresentar pedidos de declaração de suspeição.

Nesta quinta (12), em novo comunicado, o gabinete do ministro esclareceu sua participação societária na empresa Maridt e negou qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro.

Toffoli admitiu integrar o quadro societário da empresa, cuja administração, segundo a nota, é exercida por familiares. O texto ressalta que a condição é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que veda apenas a prática de atos de gestão por magistrados.

Conforme o artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e receber dividendos, sendo proibido apenas de atuar como administrador.

Segundo o gabinete, a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial de São Paulo, e administrada pelos irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Toffoli.

A nota também informa que a empresa integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, até 21 de fevereiro de 2025, quando foi concluída sua saída por meio de duas operações: a venda de cotas ao Fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021 — fundo controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Master — e a alienação do saldo remanescente à PHB Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

De acordo com o gabinete, todas as operações foram declaradas à Receita Federal e ocorreram dentro do valor de mercado, embora os montantes não tenham sido divulgados.

Segundo interlocutores, Toffoli recebeu dividendos da Maridt enquanto a empresa ainda integrava o grupo responsável pelo resort Tayayá.

Fonte: G1

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