O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação na rede Truth Social que a “defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança” do Irã “desapareceram” após os ataques recentes.
Ao responder a um usuário que mencionou o “nascimento da Doutrina Trump”, o presidente declarou que os iranianos quiseram negociar, mas que já era “tarde demais”.
O enviado especial do governo para o Oriente Médio, Steve Witkoff, disse à Fox News que, durante negociações, representantes iranianos afirmaram possuir 460 kg de urânio enriquecido a 60%, quantidade que, segundo ele, seria suficiente para produzir 11 bombas nucleares após enriquecimento a 90%. De acordo com Witkoff, a informação foi repassada “direta e descaradamente” a ele e a Jared Kushner, genro de Trump.
O governo iraniano nega possuir armas nucleares e sustenta que suas usinas não são utilizadas para esse fim.
Reportagem do Financial Times aponta que o momento do ataque ocorreu após uma oportunidade identificada por Estados Unidos e Israel de atingir o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Segundo o jornal, Israel teria invadido o sistema de câmeras de trânsito de Teerã para monitorar autoridades e utilizado ferramentas de Inteligência Artificial e algoritmos para analisar padrões de deslocamento.
A publicação afirma que houve confirmação de que Khamenei estaria em sua residência para uma reunião no dia da ofensiva. Apesar de contar com dois bunkers, ele costumava permanecer em casa. O complexo foi atingido por 30 mísseis Sparrow, enquanto torres de telefonia celular na região foram danificadas para impedir alertas aos agentes de segurança. A operação teria envolvido inteligência de sinais e penetração na rede celular.
Ainda segundo o jornal, o planejamento teria começado em 2001, quando o então primeiro-ministro Ariel Sharon determinou que o Irã se tornasse alvo prioritário da inteligência israelense. O New York Times relatou que Trump pretendia atacar o Irã na sexta-feira (27), mas adiou diante da possibilidade de matar o aiatolá.
Em meio à escalada, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, alertou países europeus a “não se juntarem à guerra”. Em entrevista ao Tehran Times, afirmou que “qualquer ação militar europeia é um ato de guerra que exige uma resposta”.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, disse que o país está focado na “defesa” e rejeitou nova rodada de negociações com Washington. Ele afirmou que a “desgraça eterna recairá” sobre aqueles que alegaram buscar diplomacia, mas optaram pela via militar.
Baghaei também criticou a postura europeia, classificando-a como “contraditória”, e alertou que as consequências da guerra poderiam se espalhar para a Europa e o mundo. Disse ainda que o Irã se considera comprometido com princípios humanitários e acusou Israel de expandir o conflito. Em suas declarações, referiu-se aos Estados Unidos como “o diabo”.
Diante do agravamento da crise, os Estados Unidos orientaram cidadãos que estejam em 14 países do Oriente Médio e regiões próximas a deixarem esses locais por meios comerciais, citando “sérios riscos à segurança”. A recomendação foi divulgada por Mora Namdar, subsecretária de Estado.
Os países citados são: Bahrein, Egito, Irã, Iraque, Israel e Gaza, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Iêmen.
Além disso, o Departamento de Estado determinou que funcionários governamentais não essenciais deixem Jordânia, Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, após ataques iranianos e do Hezbollah a embaixadas americanas na região.
Fonte: CBN