Uma reportagem publicada nesta quarta-feira (4) pelo The New York Times revelou que agentes do Ministério da Inteligência do Irã sinalizaram abertura à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) para negociar o fim da guerra no Oriente Médio. A proposta teria sido transmitida por meio do serviço de espionagem de um país não identificado, segundo o jornal, que cita autoridades do Oriente Médio e de uma nação ocidental sob condição de anonimato.
A Casa Branca e a CIA não comentaram o caso. De acordo com a reportagem, integrantes do governo Donald Trump ainda demonstravam ceticismo quanto à possibilidade de Irã e Estados Unidos estarem prontos para uma saída diplomática no curto prazo.
Na terça-feira (3), o embaixador iraniano nas Nações Unidas, em Genebra, descartou por ora qualquer negociação com Washington, dias após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o país. No mesmo dia, Trump afirmou que Teerã queria dialogar, mas declarou que já seria tarde demais, uma vez que a operação militar americana continuava.
No campo militar, um míssil balístico disparado do Irã em direção ao espaço aéreo da Turquia foi abatido nesta quarta-feira (4), segundo o Ministério da Defesa turco. O projétil foi interceptado pelas defesas aéreas da OTAN no Mediterrâneo Oriental após sobrevoar o Iraque e a Síria. Não houve registro de vítimas.
Em nota, o governo turco informou que dialogará com a OTAN e aliados após o incidente. Afirmou ainda que, embora defenda a paz regional, é plenamente capaz de proteger seu território e seus cidadãos contra qualquer ameaça. O comunicado ressalta que todas as medidas necessárias para defender o espaço aéreo serão adotadas de forma decisiva e que o direito de responder a atos hostis permanece reservado.
O número de mortos no Irã em decorrência dos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel subiu para 1.045, segundo a agência Tasnim, alinhada ao regime iraniano. Informações mais recentes do Crescente Vermelho do Irã também indicam mais de mil mortos, sem detalhar o total exato. Na terça-feira (3), o balanço era inferior a 800 vítimas.
Em meio à escalada do conflito, o governo iraniano anunciou o adiamento da cerimônia fúnebre do aiatolá Ali Khamenei, inicialmente marcada para esta quarta-feira (4), em Teerã, devido à “presença sem precedentes”, segundo comunicado exibido pela televisão estatal. A nova data ainda será informada.
Khamenei será enterrado na cidade sagrada de Mashhad, a segunda maior do país, onde também está sepultado seu pai, conforme a agência Fars. A morte do aiatolá foi confirmada no fim da noite de sábado (28), no horário de Brasília, e na madrugada de domingo (1º), em Teerã. O gabinete do governo iraniano decretou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral.
Fonte: CBN