A crise internacional envolvendo o Irã ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (11). O ministro dos Esportes do país, Ahmad Donjamali, afirmou que a seleção iraniana não pretende disputar a próxima Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.
Mesmo com vaga garantida no torneio, o governo iraniano descarta a participação. A declaração foi divulgada pela agência de notícias FAZ e ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que não haveria impedimentos para a presença da equipe no Mundial.
Durante pronunciamento na televisão, Donjamali foi duro ao justificar a decisão. “Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não temos a menor intenção de participar da Copa do Mundo”, declarou.
Segundo o ministro, o país foi alvo de “medidas malignas” que levaram o Irã a enfrentar duas guerras, além de resultar na morte de milhares de cidadãos. “Não temos absolutamente nenhuma chance de participar”, afirmou.
A Copa do Mundo está programada para acontecer entre 11 de junho e 19 de julho. O Irã já havia garantido classificação e disputaria a fase de grupos no grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
Na terça-feira (10), Donald Trump conversou com o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Durante o encontro, o dirigente questionou sobre a participação iraniana, e o presidente norte-americano afirmou que não haveria problemas para a presença do país no torneio.
Paralelamente, o Irã voltou a elevar o tom na disputa militar envolvendo Israel e os Estados Unidos. O governo iraniano declarou que qualquer embarcação ligada aos dois países ou a seus aliados poderá ser considerada alvo legítimo no Estreito de Ormuz.
A afirmação foi feita pelo porta-voz do Comando Conjunto do Exército iraniano e da Guarda Revolucionária Islâmica, Khatam al-Anbia. Segundo ele, o país não permitirá que petróleo passe pela região em benefício de seus adversários.
“Não permitiremos que nem uma gota de petróleo passe pelo Estreito de Ormuz em benefício dos Estados Unidos e seus aliados”, declarou. Ele também alertou que “não é possível manter artificialmente os preços do petróleo e da energia baixos”.
O porta-voz afirmou ainda que embarcações ligadas aos Estados Unidos, a Israel ou a países aliados poderão ser consideradas alvos militares. “Qualquer embarcação cuja carga de petróleo ou a própria embarcação pertença aos Estados Unidos, ao regime sionista ou a seus aliados hostis será considerada alvo legítimo”, disse.
Nas últimas horas, ao menos três embarcações foram atingidas na região, considerada uma das rotas mais importantes para o comércio global de petróleo. Atualmente, o estreito está sob controle do Irã devido ao conflito com Israel e os Estados Unidos.
De acordo com a Autoridade de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), o caso mais recente ocorreu quando um navio foi atingido por um “projétil desconhecido” a cerca de 50 milhas náuticas a noroeste de Dubai. A tripulação está segura e não houve impacto ambiental.
Mais cedo, um navio cargueiro pegou fogo após ser atingido a cerca de 11 milhas náuticas ao norte da Península de Musandam, em Omã. A embarcação precisou ser evacuada, segundo informações da agência.
Outro cargueiro também foi atingido na costa dos Emirados Árabes Unidos. O navio atingido em Omã navega sob bandeira da Tailândia, e a Marinha Real do país informou que presta assistência urgente.
A embarcação, identificada como o graneleiro Mayuree Naree, foi atingida por projéteis enquanto navegava a aproximadamente 11 milhas náuticas (18 km) ao norte de Omã. Parte da tripulação ainda permanece a bordo.
Segundo a UKMTO, ao menos 13 navios foram atacados desde o início da guerra na região.
Fonte: CBN