Delegado investigado por fala misógina já era alvo de queixas por ofensas a mulheres no Pará

por Redação

O delegado Carlos Guilherme Santos Machado, investigado pela Corregedoria da Polícia Civil do Pará após mensagens consideradas misóginas virem à tona, já era conhecido na delegacia de Abaetetuba, no nordeste do estado, por ofender outras pessoas, principalmente mulheres, segundo relato de uma servidora que preferiu não se identificar.

De acordo com a funcionária, o comportamento do delegado era de conhecimento entre os servidores, mas não havia denúncias formais por medo de represálias. “Era do conhecimento geral dos servidores da delegacia que ele tinha comportamentos de ofender algumas pessoas, mulheres. Não tomavam providências por medo, pelo fato de que ele era um delegado”, afirmou.

As mensagens expostas em prints mostram que, ao ser questionado sobre a possibilidade de um café da manhã às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o delegado respondeu: “café da manhã não garanto, mas se quiser uma pia cheia de louças, a gente providencia. É pra ‘vcs’ se sentirem em casa nesse dia especial”. Segundo a servidora, a fala foi considerada “extremamente misógina” pelas colegas.

Após a repercussão, a Corregedoria instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do delegado. A Polícia Civil informou que ele será afastado do cargo, mas não divulgou a data nem detalhes da medida. Procurada, a defesa não comentou o teor das mensagens.

O histórico funcional do delegado também é alvo de questionamentos. Ex-promotor de Justiça na Paraíba, ele foi condenado no mês passado a 7 anos e 6 meses de prisão por atentado violento ao pudor, crime que atualmente integra o tipo penal de estupro. Segundo a sentença, a vítima foi atraída sob um falso pretexto e, ao chegar à residência do então promotor, foi submetida à violência sexual. Mesmo após a condenação, ele obteve o direito de recorrer em liberdade.

A defesa afirmou estar convicta da inocência do delegado e disse trabalhar para demonstrá-la no processo. A Polícia Civil do Pará informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a condenação.

Carlos Machado também perdeu o cargo de promotor em 2015 após atirar no pé do cunhado durante uma discussão familiar ocorrida em Cajazeiras, no sertão paraibano. Os episódios, registrados em 2009, resultaram na abertura de processos criminais e administrativos.

Após deixar o Ministério Público da Paraíba, ele ingressou na Polícia Civil do Pará e passou a atuar como delegado em Abaetetuba em 2022, por decisão judicial, mesmo após reprovação na etapa de investigação social do concurso. O Tribunal de Justiça do Pará não comenta decisões judiciais.

Fonte: G1

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