Celular de soldado Gisele foi manuseado e mensagens apagadas pelo marido após seu feminicídio

por Redação

A investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, encontrada baleada na cabeça em fevereiro no apartamento onde morava no Brás, Centro de São Paulo, apontou que seu celular foi desbloqueado e teve mensagens apagadas pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, minutos após o disparo. Geraldo foi preso preventivamente em 18 de março e é réu por feminicídio e fraude processual.

Os dados apontam que o celular da vítima foi acessado pela última vez às 7h58, enquanto Geraldo já havia ligado para o 190 às 7h54, após o disparo ocorrido por volta das 7h28. Mensagens apagadas e recuperadas mostram que o casal discutiu sobre divórcio no dia anterior à morte. Segundo a investigação, a manipulação do celular tinha como objetivo sustentar a versão de suicídio atribuída à vítima.

Testemunhas relataram episódios de agressividade do tenente-coronel no quartel, inclusive sufocamento e comportamento controlador dentro e fora do ambiente de trabalho. Laudos periciais, reprodução simulada e análise de mensagens indicam que ele segurou a cabeça de Gisele e disparou contra ela, descartando a hipótese de suicídio.

O Ministério Público solicitou que, em caso de condenação, seja fixada indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares. A defesa nega o crime, questiona a competência da Justiça Militar e afirma que o oficial colaborou com as investigações. O caso deve ser julgado na Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, trata-se do primeiro caso desde 2015 de um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio. O STJ negou pedido de liberdade do tenente-coronel, mantendo a prisão preventiva.

Fonte: G1

Leia também