Os Estados Unidos já mobilizam mais de 50 mil militares no Oriente Médio em meio à escalada do conflito com o Irã, segundo informações publicadas por veículos como The New York Times e The Washington Post. O reforço inclui cerca de 5 mil novos integrantes — entre fuzileiros navais e marinheiros — além de centenas de forças especiais, elevando o contingente em cerca de 10 mil acima do habitual.
De acordo com autoridades ouvidas sob anonimato, o deslocamento tem como objetivo oferecer ao presidente Donald Trump mais opções militares, incluindo a possibilidade de ampliar a guerra, que já dura cerca de um mês. Entre os cenários avaliados estão ações como a tomada de ilhas estratégicas ou outros territórios iranianos.
O Pentágono também estaria preparando planos para uma possível campanha terrestre de semanas, caso haja autorização para uma invasão limitada. Entre os alvos estratégicos considerados está a Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, já atingida por bombardeios recentes.
A movimentação ocorre em meio à crise no Estreito de Ormuz, passagem por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito do mundo, atualmente praticamente bloqueada após ataques iranianos em resposta às ações militares dos EUA e de Israel.
Além disso, cerca de 2 mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada foram enviados recentemente à região, com capacidade para atuar em operações de assalto aéreo. A localização exata das tropas não foi divulgada, mas, segundo autoridades, elas estão posicionadas para possíveis ações contra o Irã.
Apesar da mobilização, especialistas militares apontam limitações. O efetivo atual, mesmo ampliado, é considerado insuficiente para uma operação terrestre de grande escala em um país com cerca de 93 milhões de habitantes e território extenso. Como comparação, a invasão do Iraque em 2003 contou com aproximadamente 250 mil soldados.
Outro fator de risco envolve a exposição das tropas a ataques com drones, mísseis, fogo terrestre e explosivos improvisados. Há ainda o impacto político interno, já que uma escalada militar pode afetar o apoio ao governo Trump às vésperas das eleições legislativas.
Nos bastidores, o governo americano alterna entre sinais de desescalada e ameaças mais duras. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os preparativos do Pentágono não significam decisão tomada, mas alertou que o presidente está “preparado para desencadear o inferno” caso o Irã não abandone suas ambições nucleares.
Enquanto isso, a incerteza sobre os próximos passos mantém a tensão elevada em uma das regiões mais estratégicas do planeta.
Fonte: OGLOBO