A Petrobras anunciou um reajuste expressivo no preço do querosene de aviação (QAV), com alta que chega a 56,3%, intensificando a pressão sobre o setor aéreo e acendendo o alerta para aumento nas passagens. O novo valor foi comunicado às distribuidoras nesta quarta-feira (1º) e já passa a valer em abril.
Na média das 13 praças onde a estatal comercializa o combustível, o aumento foi de 54,6% por litro. O maior reajuste ocorreu em Ipojuca (PE), onde o preço saltou de R$ 3,46 para R$ 5,4. Já a menor alta foi registrada em Canoas (RS), com 52%. Em polos estratégicos como Guarulhos (SP), Duque de Caxias (RJ) e Paulínia (SP), o litro passou de cerca de R$ 3,6 para R$ 5,5 ou R$ 5,6.
Este é o terceiro reajuste do ano e ocorre em meio à escalada dos combustíveis. Desde janeiro, o diesel já acumula alta média de 62%, com picos de até 64%. No caso do QAV, o preço é atualizado mensalmente, seguindo as variações do petróleo no mercado internacional e do dólar.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirma que o impacto será direto na operação das companhias. Com o novo reajuste somado ao aumento de 9,4% em março, o combustível deve saltar de pouco mais de 30% para cerca de 45% dos custos operacionais das empresas — um patamar considerado crítico pelo setor.
Segundo a entidade, o efeito imediato será a desaceleração na expansão de voos, com impacto na abertura de novas rotas e na oferta de serviços. “A medida restringe a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, afirmou a Abear em nota.
Nos bastidores, o governo federal acompanha a situação e tenta suavizar os efeitos. Há indicação de que a Petrobras possa diluir os aumentos ao longo dos próximos meses. Além disso, o Executivo estuda medidas como zerar o IOF para empresas aéreas e reduzir alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, buscando evitar um repasse integral ao consumidor.
A preocupação é concreta: a estimativa do setor é de que o aumento do QAV possa elevar em até 20% o preço das passagens aéreas, justamente em um momento de recorde de passageiros no país.
O cenário internacional também pesa. A alta do petróleo, impulsionada pela guerra no Irã, levou o barril acima de US$ 100, refletindo diretamente nos combustíveis no Brasil. Diferentemente da gasolina, que não foi reajustada, o QAV segue integralmente as cotações externas — mesmo com mais de 80% do produto sendo produzido internamente.
Diante desse cenário, o setor aéreo pressiona por mudanças estruturais no modelo de precificação para reduzir a exposição a choques internacionais e garantir a sustentabilidade das operações no país.
Fonte: OGLOBO