Exército quebra barreira histórica e promove primeira mulher a general após quase 400 anos

por Redação

A médica Cláudia Lima Gusmão Cacho entrou para a história nesta quarta-feira (1º) ao se tornar a primeira mulher a alcançar o generalato no Exército Brasileiro, após quase quatro séculos de existência da Força. A oficial recebeu a espada de general e o bastão de comando — símbolos máximos da hierarquia militar — em cerimônia realizada no Clube do Exército, em Brasília.

Indicada ao posto em 24 de fevereiro após votação secreta do Alto Comando, Cláudia teve a promoção oficializada por ato assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento contou com a presença do ministro da Defesa, José Múcio, e do comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva.

A escolha segue critérios rigorosos, que incluem tempo de serviço, mérito profissional, desempenho em funções estratégicas e formação em cursos de altos estudos militares. A promoção marca uma ruptura histórica em uma instituição que só passou a admitir mulheres em seus quadros permanentes na década de 1990.

Durante a cerimônia, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, destacou o simbolismo da ascensão. Segundo ele, o feito representa não apenas mérito individual, mas também a evolução institucional da Força ao reconhecer talentos de forma mais ampla.

Além de Cláudia, outros militares também foram promovidos: 16 coronéis passaram a generais de brigada, 11 avançaram para general de divisão e dois chegaram ao posto máximo de general de Exército, integrando o Alto Comando.

Pernambucana do Recife, Cláudia Gusmão, de 57 anos, é médica pediatra e construiu sua trajetória ao longo de quase três décadas. Ingressou no Exército em 1996 e consolidou carreira na área de saúde militar, com passagens por cargos estratégicos e direção de unidades como o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande. Mais recentemente, atuava no Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro.

Com formação pela Universidade de Pernambuco e especializações em gestão e saúde pela FGV, a oficial também acumula condecorações relevantes, como a Medalha do Pacificador e a Ordem do Mérito Militar.

O avanço ocorre em um contexto de ampliação da presença feminina nas Forças Armadas. Em 2025, o Exército promoveu pela primeira vez mulheres à graduação de subtenente e iniciou a preparação para o ingresso de mulheres no serviço militar obrigatório. Em 2026, mais de mil foram incorporadas, consolidando uma mudança estrutural na instituição.

A promoção de Cláudia Gusmão simboliza um marco na história militar brasileira e reforça o debate sobre igualdade de oportunidades dentro das Forças Armadas.

Fonte: OGLOBO

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