O governo federal intensifica ações para mitigar os impactos da alta internacional do petróleo sobre o preço dos combustíveis, especialmente o diesel e o querosene de aviação, e o custo total dessas medidas já ultrapassa R$ 20 bilhões. A compensação parcial prevista com o Imposto de Exportação é de R$ 15 bilhões, mas o valor tende a aumentar com novas iniciativas em discussão.
Entre as ações, destaca-se o subsídio para diesel importado, avaliado em R$ 4 bilhões para dois meses, dividido entre União e estados, além de possíveis medidas para conter a alta do querosene de aviação, estimadas em cerca de R$ 400 milhões, e para garantir o fornecimento do gás residencial. Medidas adicionais ainda podem ser necessárias para conter a pressão sobre a gasolina.
Segundo especialistas, a expansão desses programas pode impactar diretamente as contas públicas e a trajetória da dívida, mesmo com instrumentos fora do limite de gastos, como créditos extraordinários. O governo busca preservar neutralidade fiscal, mas o risco de descontrole persiste, principalmente se os programas se estenderem ou tiverem custo maior que o previsto.
Além das medidas de controle de preços, há iniciativas voltadas ao endividamento das famílias, incluindo programas de reestruturação de dívidas com reforço do Fundo Garantidor de Operações (FGO) e uso de recursos ociosos de R$ 10,5 bilhões, que podem impactar a liquidez e a dívida pública.
No cenário político, a preocupação é equilibrar ações emergenciais sem comprometer o equilíbrio fiscal, diante de indicadores econômicos formais positivos, mas com baixo impacto percebido pela população. A expectativa do governo é que essas medidas reduzam a pressão sobre a renda das famílias, especialmente a classe média, e aumentem a percepção de bem-estar, ainda que os efeitos fiscais e sociais precisem ser monitorados.
Fonte: OGLOBO