Irã e Estados Unidos recusaram nesta segunda-feira (6) o plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão, ampliando a incerteza sobre o rumo do conflito. Enquanto Washington considerou a proposta insuficiente, Teerã foi além e apresentou uma contraproposta, reforçando a disputa diplomática em meio à escalada de tensões na região.
O presidente norte-americano Donald Trump chegou a reconhecer avanços na iniciativa paquistanesa, mas descartou sua adoção nos termos atuais. “É uma proposta significativa. É um passo significativo. Mas não é suficiente”, afirmou. Ele também reiterou o prazo até terça-feira (7) para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o fluxo global de petróleo, e sinalizou disposição de prolongar a pressão: “Poderíamos sair agora mesmo se quiséssemos, mas eu quero terminar o trabalho”.
Do lado iraniano, a rejeição foi fundamentada na recusa a soluções temporárias. Segundo a agência estatal Irna, Teerã defende o encerramento definitivo do conflito, argumentando que uma trégua apenas daria tempo para que adversários reorganizem novos ataques. “Estamos pedindo o fim da guerra e que se impeça sua repetição”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei. O conteúdo da contraproposta apresentada pelo Irã não havia sido divulgado até a última atualização.
O plano do Paquistão previa uma solução em duas etapas: cessar-fogo imediato — com possível reabertura do Estreito de Ormuz, fechado há mais de um mês pelo Irã — seguido por negociações de 15 a 20 dias para um acordo definitivo. A proposta, chamada provisoriamente de “Acordo de Islamabad”, também poderia envolver encontros presenciais na capital paquistanesa e incluir compromissos nucleares iranianos em troca de alívio de sanções e liberação de ativos.
Apesar da mediação, o cenário segue complexo. Israel, aliado dos EUA no conflito contra o Irã, não foi mencionado diretamente nas negociações relatadas, mas mantém interesses próprios que podem influenciar qualquer desfecho. Autoridades iranianas também já sinalizaram que não aceitarão reabrir o Estreito de Ormuz em caso de cessar-fogo temporário nem se submeterão a prazos impostos.
A proposta paquistanesa surge em meio a contatos intensos entre lideranças, incluindo o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, que manteve diálogo com autoridades dos EUA e do Irã. Ainda assim, o impasse persiste, ampliando preocupações globais, especialmente pelo impacto potencial no mercado de petróleo e na estabilidade da região.
Fonte: G1