Irã fecha novamente o Estreito de Ormuz e ameaça romper trégua em meio à escalada de ataques no Líbano

por Redação

O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8) e ameaçou romper o cessar-fogo anunciado na véspera, caso Israel não interrompa os ataques ao Líbano. A decisão, divulgada por agências estatais iranianas, eleva a tensão no Oriente Médio e coloca em risco um dos principais acordos recentes para conter a guerra na região.

Segundo a agência Fars, o bloqueio da rota marítima — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — foi motivado pelo que Teerã classificou como “violações de Israel ao cessar-fogo”. O regime iraniano também prometeu “punir” Israel pelos ataques ao Hezbollah e afirmou que suas Forças Armadas já estão identificando alvos para responder às ofensivas desta quarta-feira, conforme relataram Tasnim e PressTV.

A reação iraniana ocorre após Israel realizar o maior ataque contra o território libanês desde o início do conflito, atingindo mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah. O premiê Benjamin Netanyahu afirmou que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano, contrariando o Paquistão, mediador do acordo, que havia garantido a interrupção dos ataques em todas as frentes.

O governo libanês acusou Israel de bombardear áreas densamente povoadas e informou que os ataques deixaram centenas de vítimas, entre mortos e feridos. Autoridades pediram a liberação das ruas de Beirute para a passagem de ambulâncias, evidenciando o agravamento da crise humanitária no país.

Paralelamente, países do Golfo relataram ataques iranianos com mísseis e drones após a entrada em vigor da trégua. O Catar afirmou ter interceptado projéteis, enquanto uma fonte saudita indicou que um oleoduto foi atingido. O acordo previa que o Irã também suspenderia ações retaliatórias contra vizinhos aliados dos Estados Unidos.

O conflito entre Israel e Hezbollah, retomado no início de março após ataques cruzados, já deixou mais de 1.500 mortos e 4.800 feridos no Líbano, segundo o governo local. Israel mantém operações militares no sul do país e bombardeios em regiões estratégicas, alegando combater o grupo apoiado por Teerã.

No cenário diplomático, o Paquistão reforçou o apelo pelo cumprimento do cessar-fogo, enquanto negociações entre Irã e Estados Unidos estão previstas para sexta-feira (10), em Islamabad. O acordo envolve exigências como limitação do programa nuclear iraniano e suspensão de sanções, mas segue cercado de divergências.

O fechamento do Estreito de Ormuz volta a pressionar os mercados globais e amplia os riscos econômicos e militares, em um momento em que a trégua já demonstra sinais claros de fragilidade.

Fonte: G1

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