EUA e Irã marcam reunião decisiva por fim da guerra, mas tensão e desconfiança persistem

por Redação

Estados Unidos e Irã vão se reunir na próxima sexta-feira (10), em Islamabad, no Paquistão, para negociar um acordo definitivo que encerre a guerra entre os dois países, conflito que também envolve Israel. O encontro foi anunciado pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, mediador das negociações.

Segundo Sharif, as partes concordaram com um cessar-fogo imediato e enviarão delegações à capital paquistanesa para avançar nas tratativas. O acordo de não agressão terá duração inicial de duas semanas, período em que o Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial — permanecerá aberto.

O Irã confirmou presença e deve enviar uma comitiva liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo chanceler Abbas Araqchi. Já os Estados Unidos ainda não divulgaram oficialmente seus representantes, embora fontes indiquem que o vice-presidente J.D. Vance pode chefiar a delegação, com possível participação de Steve Witkoff e Jared Kushner.

O presidente Donald Trump afirmou que os objetivos militares dos EUA já foram alcançados e que há avanço significativo rumo a um acordo de paz. Segundo ele, uma proposta iraniana de 10 pontos serve como base viável para negociação, e “quase todas as divergências” já teriam sido resolvidas. Ainda assim, o prazo de duas semanas foi estabelecido para conclusão do acordo.

Do lado iraniano, o chanceler Araqchi confirmou a suspensão de ações defensivas, condicionada à interrupção dos ataques contra o país. Ele também destacou que o tráfego no Estreito de Ormuz será permitido durante a trégua, sob coordenação das Forças Armadas iranianas.

A proposta apresentada por Teerã inclui exigências como o fim das sanções dos EUA, pagamento de compensações, liberação de ativos congelados, reconhecimento do enriquecimento de urânio e retirada de forças americanas da região. Também prevê a cessação dos conflitos em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Apesar do avanço diplomático, o cenário segue instável. Ataques recentes na região elevaram o temor de escalada, incluindo bombardeios a infraestruturas estratégicas e ameaças envolvendo instalações nucleares e energéticas. Especialistas alertam para riscos de impactos globais, desde crise energética até possíveis desastres ambientais.

O encontro em Islamabad é visto como um ponto crítico nas negociações. Embora haja sinais de avanço, as divergências históricas e a desconfiança entre as partes ainda colocam em dúvida a consolidação de uma paz duradoura.

Fonte: G1

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