A Comissão de Trânsito e Transportes da Câmara Municipal de Guarulhos realizou nesta quarta-feira (15) uma reunião ampliada com representantes das cooperativas de transporte coletivo que operam micro-ônibus no município. O encontro escancarou uma crise estrutural profunda: trabalhadores do setor afirmam que, após cobrir os custos operacionais, sobram cerca de R$ 600 por mês — valor próximo ao do Bolsa Família — tornando inviável a continuidade da atividade.
O sistema de micro-ônibus em Guarulhos é operado por permissionários organizados em cooperativas, responsáveis por atender regiões de difícil acesso onde os grandes ônibus não chegam, como os bairros Novo Recreio e Primavera. Diferentemente das concessionárias, esses trabalhadores são proprietários dos próprios veículos e não contam com a mesma estrutura de proteção sindical das grandes empresas, o que os deixa ainda mais vulneráveis à pressão dos custos.
O principal fator de desequilíbrio apontado pelas cooperativas é a escalada do preço do diesel, que acumula reajustes sucessivos desde o início de 2026, impulsionados por conflitos internacionais. Enquanto o combustível sobe em tempo real, o valor pago por quilômetro rodado aos micro-ônibus leva anos para ser revisto. Os representantes da categoria afirmaram que não houve dissídio salarial nos últimos quatro anos e que os contratos deveriam ser reajustados, no mínimo, anualmente.
O contraste com as grandes empresas do setor foi um dos pontos mais criticados na reunião. Segundo os cooperados, enquanto eles ficam com as “migalhas” do orçamento, as concessionárias de ônibus recebem aportes da ordem de R$ 12 milhões mensais para garantir o equilíbrio do sistema — uma disparidade que, na avaliação deles, evidencia um desequilíbrio contratual grave e historicamente negligenciado.
O presidente da Comissão, vereador Alemão do Transporte, informou que as empresas de ônibus foram convidadas para a reunião, mas não compareceram. Diante da gravidade do cenário, será agendado um encontro com o secretário de Transportes da Prefeitura para discutir a possibilidade de subsídio emergencial ou remanejamento orçamentário, medidas consideradas urgentes para evitar o colapso do serviço nos bairros mais periféricos da cidade.
Participaram da reunião os vereadores Edmilson Souza, Joseval Queiroz, Biriba, Luís da Sede, Maurício Guti, Kleber Anistia Já, Guto Tavares, Geleia Protetor, Karina Soltur e Geraldo Celestino.