A prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, seguida de sua rápida liberação, desencadeou um novo impasse diplomático entre Brasil e governo norte-americano. O episódio ganhou contornos ainda mais delicados após a decisão dos EUA de expulsar um delegado da Polícia Federal brasileira envolvido no caso.
Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025, pouco antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado. Considerado foragido, ele passou a viver nos Estados Unidos, onde solicitou asilo — processo ainda em análise.
No dia 13 de abril de 2026, o ex-parlamentar foi preso em Orlando, na Flórida, por questões migratórias, após ser abordado na rua com visto vencido. Ele foi levado a um centro de detenção no Condado de Orange, onde permaneceu por dois dias. Em 15 de abril, acabou liberado administrativamente. No dia seguinte, publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo às autoridades americanas e afirmando estar em situação regular no país devido ao pedido de asilo.
Ainda em 16 de abril, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) informou à Polícia Federal que Ramagem poderia aguardar em liberdade a conclusão do processo. A decisão frustrou expectativas de autoridades brasileiras, que discutiriam o caso em reunião previamente agendada para evitar a soltura.
A crise se intensificou em 20 de abril, quando o governo dos Estados Unidos determinou a saída de um delegado brasileiro que atuava como oficial de ligação em Miami. Sem citar nomes, autoridades americanas acusaram o agente de tentar “contornar pedidos formais de extradição” e promover “perseguições políticas” em território norte-americano.
A medida pegou de surpresa tanto a Polícia Federal quanto o Ministério das Relações Exteriores. No dia seguinte, a encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA em Brasília foi convocada para prestar esclarecimentos ao Itamaraty.
Também em 21 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o episódio durante viagem à Europa e indicou a possibilidade de प्रतिक्रिया com base no princípio da reciprocidade, embora sem დეტalhar medidas. “Se houve um abuso americano, vamos fazer a reciprocidade”, afirmou.
A cronologia do caso inclui ainda a atuação do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, nomeado em 2023 como oficial de ligação em Miami, com atribuições de colaborar na localização de foragidos brasileiros. Sua permanência foi prorrogada em 2025, e a substituição por outra delegada havia sido anunciada em março de 2026, antes da prisão de Ramagem.
O episódio evidencia o desgaste nas relações bilaterais e levanta questionamentos sobre cooperação jurídica internacional, extradição e limites de atuação de agentes estrangeiros em solo americano.
Fonte: G1