A brasileira Francisca dos Santos, de 44 anos, será sepultada na próxima segunda-feira (4) em Portugal sem a presença de familiares. A decisão ocorre após a família não conseguir arrecadar recursos suficientes para custear o traslado do corpo ao Brasil.
O irmão da vítima, o artista plástico Antônio José, afirmou que a família não obteve apoio financeiro do governo brasileiro e não conseguiu atingir o valor necessário por meio de vaquinha online.
Segundo ele, a campanha de arrecadação buscava cerca de R$ 30 mil para o traslado, mas o montante obtido ficou abaixo do esperado. Além disso, ainda há pendências financeiras relacionadas ao sepultamento, estimadas entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, além de despesas com deslocamento, flores e cerimônia.
“A família não irá”, declarou o irmão ao Portugal Giro.
O caso gerou questionamentos por parte da família sobre a ausência de apoio do governo federal. O Itamaraty justificou a negativa com base em regras estabelecidas em decreto de 2025, citando restrições orçamentárias e a ausência de comoção nacional como critérios para custeio de traslados.
Em 2025, o governo federal alterou um decreto de 2017, passando a permitir que despesas com traslado de brasileiros mortos no exterior possam ser custeadas pela União em situações excepcionais, mediante critérios específicos.
Francisca trabalhava como cozinheira em um restaurante na cidade de Tabuaço, no distrito de Viseu, e foi vista pela última vez em fevereiro, quando saiu de casa para descartar lixo. Desde então, estava desaparecida.
O corpo foi localizado em 26 de fevereiro, e a Polícia Judiciária portuguesa confirmou posteriormente a identidade com base em exames. As circunstâncias da m0rt3 ainda não foram esclarecidas pelas autoridades.
Durante as investigações, o irmão relatou que a casa da vítima foi encontrada com luzes e televisão ligados. O computador pessoal foi entregue às autoridades, mas teria tido mensagens e e-mails apagados antes da análise.
A Polícia Judiciária realizou buscas na residência do companheiro da brasileira. A investigação segue em andamento.
Fonte: OGLOBO