Golfinhos suicidas? Entenda a história dos animais militares que o Irã comprou da antiga União Soviética

por Redação

Uma pergunta inusitada chamou atenção durante uma entrevista coletiva do Pentágono no último dia 5 de maio, em meio às discussões sobre a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã: o Irã estaria usando “golfinhos suicidas” no conflito?

O questionamento foi feito por um jornalista do The Daily Wire ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth. Em tom irônico, ele respondeu que não poderia “confirmar nem desmentir” a existência dos próprios golfinhos suicidas americanos, mas afirmou que o Irã “não tem nenhum”. O general Dan Kaine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, também ironizou o tema, comparando a história a “tubarões com raios laser”.

Apesar do tom de deboche, o assunto tem origem em um histórico real de uso militar de mamíferos marinhos por diferentes países. Dias antes, o jornal The Wall Street Journal publicou que autoridades iranianas mencionaram a possibilidade de usar “golfinhos equipados com minas” para atacar navios americanos em meio às tensões no estreito de Ormuz.

O uso militar de golfinhos existe há décadas e remonta à Guerra Fria. Em 1999, a BBC revelou que o Irã havia comprado golfinhos treinados por militares da antiga União Soviética através da Ucrânia. Segundo a reportagem, os animais eram parte de programas secretos soviéticos desenvolvidos para atacar mergulhadores inimigos, localizar minas e até executar missões suicidas contra embarcações.

Os mamíferos aquáticos foram treinados pelo especialista Boris Zhurid, ex-oficial de submarinos soviéticos que depois atuou em programas militares e civis com animais marinhos. Após o colapso da União Soviética e a falta de recursos para manter os projetos, Zhurid afirmou que vendeu os animais ao Irã para evitar que morressem de fome.

Na época, cerca de 27 animais foram levados da Crimeia para o Golfo Pérsico em um avião cargueiro. Entre eles estavam golfinhos, focas, leões-marinhos, botos e até uma baleia beluga.

Segundo relatos da época, os golfinhos eram treinados para carregar minas presas ao corpo e atingir embarcações inimigas em ataques suicidas. Também podiam usar arpões contra mergulhadores ou arrastá-los até a superfície para captura. Havia ainda alegações de que os animais conseguiam distinguir submarinos soviéticos de estrangeiros pelo som das hélices.

O tema voltou a ganhar atenção após relatos recentes de que a Rússia intensificou o uso de golfinhos militares para proteger sua frota naval em Sebastopol, no mar Negro, durante a guerra na Ucrânia.

Além da Rússia, os Estados Unidos mantêm há décadas um programa oficial de mamíferos marinhos militares em San Diego, na Califórnia. Imagens de satélite também levantaram suspeitas sobre possíveis programas semelhantes na Coreia do Norte.

O ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani chegou a citar em suas memórias uma visita aos animais importados da Ucrânia em 1990. Ele negou qualquer finalidade militar e afirmou que os mamíferos eram usados apenas como atração e pesquisa.

Mesmo assim, a história dos chamados “golfinhos suicidas” segue cercada de mistério, espionagem e relatos que misturam guerra, tecnologia militar e treinamento animal secreto.

Fonte: G1

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