A mulher de 37 anos presa em Joinville (SC) por se passar por uma adolescente de 12 anos costumava abandonar os locais onde estava antes que suas histórias fossem desmascaradas, segundo a Polícia Civil. De acordo com o delegado Rodrigo Gusso, ela confessou ter aplicado golpes semelhantes em diversos estados brasileiros.
Segundo o investigador, a suspeita “simplesmente desaparecia” quando percebia que suas versões estavam prestes a ser descobertas. Em Santa Catarina, porém, ela acabou presa antes de conseguir fugir.
A mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina pelos crimes de falsa identidade e estelionato. Na terça-feira (9), a Justiça aceitou a denúncia, tornando-a ré em um processo criminal.
Amanda viveu por cerca de 14 meses como filha adotiva na casa de uma família de Joinville. Conforme a investigação, ela nunca portava documentos e utilizava diferentes narrativas para conquistar a confiança das vítimas.
A aproximação com a família catarinense ocorreu por meio de um pastor de uma igreja local. Inicialmente, ela afirmou ter 18 anos, experiência em panificação e estar em busca de trabalho. Com o tempo, passou a relatar problemas financeiros e graves questões de saúde.
Após conquistar a confiança do casal, mudou completamente sua história, alegando ter apenas 11 anos e afirmando ter sido vítima de abusos. Sensibilizada, a família a acolheu em casa, organizou uma festa para celebrar seus supostos 12 anos e até custeou tratamento para emagrecimento com o medicamento Mounjaro.
A fraude foi descoberta no fim de maio, quando uma tia da família realizou pesquisas na internet e encontrou reportagens relacionando a mulher a casos semelhantes em outros estados.
Em depoimento, Amanda confessou ter aplicado o mesmo golpe em Curitiba (PR), Nova Iguaçu (RJ), além de cidades em Minas Gerais, Goiás e Ceará.
A investigada foi presa em 2 de junho na residência da família que a acolhia. Ela permanece detida enquanto responde ao processo.
A Justiça marcou para 26 de junho a realização de um exame de sanidade mental. A defesa afirmou, por meio de nota, que recebeu a denúncia com tranquilidade e destacou que o processo ficará suspenso até a conclusão da perícia psicológica determinada pelo Judiciário.
Fonte: G1