A 23ª Copa do Mundo começa nesta quinta-feira marcando uma edição histórica, com recordes de seleções participantes, expansão de jogos e duração, além da estreia de novas regras e um cenário de tensões políticas internacionais envolvendo países anfitriões e participantes.
A cerimônia de abertura e o jogo inaugural, entre México e África do Sul, acontecem com transmissão a partir das 14h (de Brasília) no sportv, Globoplay e ge tv, e às 14h30 na TV Globo. A abertura oficial ocorre no Estádio Azteca, no México, antes da partida às 16h. Pela primeira vez realizada em três países — Canadá, Estados Unidos e México — a competição reúne 48 seleções e 1248 jogadores (26 por elenco), ampliando significativamente o formato tradicional.
Na maior mudança desde 1998, quando o torneio passou a ter 32 seleções, a edição atual terá 104 partidas e duração de 39 dias, contra 64 jogos e até 33 dias no modelo anterior. A fase eliminatória passa a incluir uma rodada anterior às oitavas de final, com os dois primeiros de cada um dos 12 grupos e os oito melhores terceiros avançando para a fase de 16 avos. Ao todo, serão 16 estádios em 16 cidades-sede: 11 nos Estados Unidos, 3 no México e 2 no Canadá. A final está marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
As cerimônias de abertura terão forte apelo musical. No Estádio Azteca, o show conta com Shakira e Burna Boy, além da música-tema “Dai Dai”, com apresentações de Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean e J Balvin. Em Toronto, estão previstos shows de Michael Bublé e Alanis Morissette, enquanto em Los Angeles Katty Perry lidera o evento com participação da brasileira Anitta.
A abertura no México também será marcada por protestos. Cerca de 5 mil manifestantes são esperados na Cidade do México, incluindo professores em conflito com o governo por mudanças na previdência e reforma educacional, além de grupos sociais, sindicais e de direitos humanos.
No campo político, a competição ocorre sob forte tensão internacional. Um dos países-sede está em conflito com outro participante após ofensiva envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã em fevereiro deste ano. A presença da seleção iraniana chegou a ser questionada por Donald Trump, que classificou sua participação como “inapropriada, para a própria vida e segurança deles”.
A delegação do Irã enfrenta restrições: está hospedada e treina em Tijuana, no México, cruzando a fronteira apenas para os jogos nos Estados Unidos. Quinze dirigentes da federação tiveram vistos negados, incluindo o presidente Mehdi Taj e membros técnicos. Além disso, os EUA revogaram cotas de ingressos para torcedores iranianos. O país ainda alertou a Fifa que atletas podem abandonar partidas em caso de protestos políticos.
Outras delegações também relatam dificuldades com protocolos americanos, incluindo interrogatórios, revistas rigorosas e barreiras de entrada, como o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan e do atacante iraquiano Aymen Hussein.
A competição também estreia novas regras. O VAR passa a atuar em mais situações, incluindo segundo cartão amarelo e erros em escanteios e tiros de meta. Para reduzir a “cera”, foram estabelecidos limites rígidos: 5 segundos para laterais e tiros de meta, 10 segundos para substituições e 1 minuto de saída obrigatória em atendimentos médicos, com punições que variam de reversão de posse a escanteios e inferioridade temporária. Jogadores também podem receber cartão vermelho por cobrir a boca em discussões ou por abandonar o campo em protesto contra a arbitragem.
Entre as seleções, estão Canadá, Estados Unidos e México; Curaçao, Haiti e Panamá; Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai; Alemanha, Áustria, Bélgica, Bósnia, Croácia, Escócia, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Noruega, Portugal, República Tcheca, Suécia, Suíça e Turquia; África do Sul, Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito, Gana, Marrocos, República Democrática do Congo, Senegal e Tunísia; Arábia Saudita, Austrália, Catar, Coreia do Sul, Irã, Iraque, Japão, Jordânia e Uzbequistão; e Nova Zelândia.
Entre os favoritos ao título estão França, atual campeã de 2018 e vice de 2022, Espanha, Argentina — líder do ranking da Fifa — e o Brasil, que chega em fase de reconstrução sob comando de Carlo Ancelotti em busca do hexacampeonato, após 24 anos sem título.
A seleção brasileira está no Grupo C, estreia contra Marrocos neste sábado às 19h, depois enfrenta Haiti (dia 19, às 21h30) e Escócia (dia 24, às 19h). Caso avance, pode enfrentar equipes do Grupo F ou líderes de outros grupos dependendo da posição.
A edição também deve marcar despedidas de grandes nomes do futebol mundial, como Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, Son Heung-min, Manuel Neuer, Guillermo Ochoa e Luka Modrić. Em contrapartida, surgem novos destaques como Lamine Yamal, Désiré Doué, Endrick e o mexicano Gilberto Mora, de 17 anos.
A venda de ingressos também gera críticas, com preços elevados e milhares de assentos ainda vazios. O valor médio para a final chega a quase US$ 13 mil (cerca de R$ 65 mil), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que nem ele pagaria os valores praticados.
Fonte: GE