Vice-prefeita afastada é investigada por desvio de R$ 41 mil para suposta amarração amorosa

por Redação

A vice-prefeita de Ribeira (SP), Juliana Maria Teixeira da Costa (MDB), foi afastada do cargo após ser denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por supostamente desviar R$ 41,2 mil dos cofres públicos para custear um trabalho espiritual conhecido popularmente como “amarração amorosa”.

Segundo a denúncia, Juliana teria utilizado recursos públicos para contratar uma mulher identificada como mãe de santo com o objetivo de afastar a esposa de Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde. O desvio, de acordo com a promotoria, teria sido realizado por meio de uma empresa contratada para prestar serviços à prefeitura.

Além da vice-prefeita, também foram denunciados Lauro Olegário da Silva Filho e Willian Felipe da Silva, proprietário da empresa W.F. A defesa dos envolvidos não foi localizada pela reportagem.

Em entrevista anterior ao g1, a mentora espiritual Samantha afirmou que Juliana contratou um serviço avaliado em R$ 380 mil, mas teria pago apenas R$ 41,2 mil, valor que o Ministério Público aponta como desviado dos cofres públicos.

Segundo Samantha, o objetivo seria realizar uma “dominação amorosa”, o afastamento da esposa de Lauro e um chamado “casamento espiritual definitivo”.

Diante da repercussão do caso, a Associação Nacional das Religiões Afro-Brasileiras (FNAB) esclareceu que práticas destinadas a controlar a vontade de terceiros, obrigar alguém a amar outra pessoa, separar famílias ou causar danos à saúde não são compatíveis com a ética das religiões afro-brasileiras.

A presidente da entidade e sacerdotisa de Umbanda, Carol Módolo, destacou que nenhuma liderança religiosa séria deve prometer controle sobre sentimentos, saúde ou decisões de outras pessoas.

“Do ponto de vista ético, nenhuma liderança religiosa responsável deve prometer controle sobre a vontade de outra pessoa. Não há como garantir, comprovar ou vender resultado espiritual sobre o sentimento, a saúde ou a vida de terceiros”, afirmou.

Carol também alertou que promessas desse tipo, especialmente quando envolvem cobranças elevadas, podem configurar exploração da fé, abuso de confiança ou até situações conhecidas popularmente como estelionato religioso.

A representante da FNAB ressaltou ainda que a cobrança por consultas ou atendimentos espirituais existe em diversas tradições religiosas, mas afirmou que o valor citado no caso está muito distante da realidade da maioria dos terreiros brasileiros.

“O valor de R$ 380 mil está completamente fora da realidade da imensa maioria dos terreiros brasileiros”, declarou.

A entidade também demonstrou preocupação com possíveis generalizações e reforçou que a investigação de uma pessoa não deve ser utilizada para associar toda uma tradição religiosa a práticas ilícitas.

“A FNAB defende uma apuração rigorosa dos fatos, e um debate público que não transforme a investigação de uma pessoa em instrumento de perseguição religiosa contra toda uma coletividade. Racismo religioso também é crime”, destacou a associação.

Fonte: G1

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