A decisão da Justiça do Rio de Janeiro de absolver os sete réus restantes no processo sobre o incêndio no Ninho do Urubu, que matou dez jovens jogadores da base do Flamengo em 2019, gerou forte repercussão e críticas nas redes sociais nesta terça-feira (21).
A sentença, assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital, destacou a “ausência de demonstração de culpa penalmente relevante” e a “impossibilidade de estabelecer um nexo causal seguro entre as condutas individuais e a ignição”.
Nas redes, usuários lamentaram a decisão e questionaram a responsabilização pelo caso. “Em qual lugar do mundo NINGUÉM seria responsabilizado por uma tragédia como aquela?”, escreveu um internauta. Outro lembrou: “O ano era 2019. Dez crianças perderam suas vidas, sete réus foram julgados. Em 2025, todos foram absolvidos. Justiça é o que menos temos no Brasil.”
Muitos comentários também relembraram que os jovens estavam alojados em contêineres metálicos usados de forma provisória, sem alvará de funcionamento, no centro de treinamento do clube, em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio.
Além das críticas à Justiça, houve manifestações contra o Flamengo e homenagens aos dez adolescentes mortos no incêndio.
⚖️ Quem são os réus absolvidos
Márcio Garotti – Diretor financeiro do Flamengo entre 2017 e 2020
Marcelo Maia de Sá – Diretor adjunto de patrimônio do Flamengo
Danilo Duarte – Engenheiro responsável técnico da NHJ, empresa dos contêineres
Fabio Hilário da Silva – Engenheiro da NHJ
Weslley Gimenes – Engenheiro da NHJ
Claudia Pereira Rodrigues – Responsável pela assinatura dos contratos da NHJ
Edson Colman – Sócio da Colman Refrigeração, responsável pela manutenção dos aparelhos de ar-condicionado
Eles respondiam pelos crimes de incêndio culposo qualificado com resultado de morte de dez pessoas e lesão corporal grave em outras três.
? Relembre o caso
O incêndio ocorreu em 8 de fevereiro de 2019, no centro de treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu. As vítimas foram os jogadores da base Athila Paixão (14), Arthur Vinícius (14), Bernardo Pisetta (14), Christian Esmério (15), Gedson Santos (14), Jorge Eduardo Santos (15), Pablo Henrique (14), Rykelmo de Souza (16), Samuel Thomas Rosa (15) e Vitor Isaías (15).
Segundo as investigações, o fogo começou após um curto-circuito em um ar-condicionado que permanecia ligado continuamente. O material dos contêineres facilitou a propagação das chamas. À época, o local não possuía alvará de funcionamento, conforme informou a Prefeitura do Rio.
Fonte: OGLOBO